O mercado brasileiro de feijão enfrenta oferta reduzida e preços sustentados na esteira da quebra histórica da segunda safra. A escassez é mais acentuada para o feijão carioca, com grãos de qualidade superior pouco disponíveis e cotações elevadas, enquanto a liquidez do mercado permanece baixa, com compradores realizando reposições pontuais.
Impactos climáticos e concentração da oferta
Levantamento da Safras & Mercado indica praticamente o desaparecimento de feijões extras nas notas 9 e 9,5 do circuito comercial, o que tem sustentado as cotações mesmo com redução no volume de negócios. A produção de feijão de melhor qualidade está concentrada em Minas Gerais e Goiás, enquanto o Paraná ainda sofre com os efeitos adversos do clima.
Na revisão da segunda safra 2025/26 houve uma queda de 38,3% na produção paranaense e um recuo de 14,93% na produção nacional, fatos que agravam a restrição de oferta. Segundo o analista Evandro Oliveira, a terceira safra, que teve início em áreas irrigadas, não é suficiente para reverter o quadro de abastecimento, e a resistência de produtores a aceitar preços menores também contribui para a firmeza das cotações.
No segmento do feijão preto, a dinâmica é distinta: há baixa liquidez e consumo enfraquecido. Comerciantes e empacotadores encontram-se abastecidos e têm feito compras apenas pontuais, o que limita a recuperação de preços desse tipo no curto prazo.
Mesmo com estabilidade aparente dos valores, os fundamentos de médio prazo apontam para um mercado mais apertado. A redução expressiva da segunda safra, especialmente no Paraná, indica perspectiva de menor disponibilidade ao longo do segundo semestre. A demanda ainda fraca tem moderado parte do efeito da oferta enxuta, mas o cenário segue sensível a mudanças no consumo.
O comportamento da indústria e do varejo será determinante para os próximos movimentos de preço. Caso o consumo volte a crescer, os grãos de melhor qualidade tendem a se valorizar primeiro, apoiados pela oferta reduzida e pelos riscos estruturais que persistem na produção nacional.
Fonte: Uberlandianofoco


