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quarta-feira, abril 29, 2026

Gabiroba gigante do Espírito Santo, fruta rara da Mata Atlântica, ganha destaque ao vencer premiação popular em festival de sorvetes

Fruta nativa do Espírito Santo é usada em sorvete que conquistou o público em festival nacional

Vargem Alta (ES) — A gabiroba gigante, espécie rara da Mata Atlântica encontrada em pontos da Região Serrana do Espírito Santo, ganhou projeção ao ser ingrediente de um sorvete premiado pelo voto popular em um festival nacional. A fruta, de sabor marcante e ácido, depende de condições ambientais específicas e da polinização por abelhas sem ferrão nativas para frutificar.

O empresário Adenilson Panzini, 56 anos, responsável por cultivar um pé em sua propriedade em Vargem Alta, conheceu a planta em 1998 durante caminhadas pela mata. Hoje a árvore adulta produz mais de 100 kg de frutos e parte da colheita é armazenada em freezers para doações a escolas e a chefs que preparam receitas com a gabiroba.

A fruta integra o projeto voluntário Experiência Cores e Sabores da Mata Atlântica, idealizado por Adenilson e pelo chef Ricardo Silva, que divulga produtos nativos em eventos. Foi por meio dessa iniciativa que a mestre sorveteira Gabriela Maretto conheceu a gabiroba e desenvolveu um sorbet à base de água inspirado em sua receita de limão. Ela levou a preparação ao Gelato Festival World Masters, realizado em julho em São Paulo, e recebeu a Menção Honrosa do Júri Popular, prêmio concedido ao sabor mais votado pelo público presente.

Na versão apresentada ao público, Gabriela incorporou mel de uruçu, geleia de frutas vermelhas e um praliné de castanhas da Mata Atlântica, criando o sobremesa batizada de “Sabores da Mata”. Segundo a sorveteira, milhares de visitantes provaram os sabores expostos no estande brasileiro, e a receptividade foi positiva entre o público nacional e estrangeiro.

Pesquisadores afirmam que a gabiroba gigante (Campomanesia sp.) é um dos maiores frutos do gênero, alcançando até 12 cm de diâmetro, enquanto espécies próximas chegam a cerca de 8 cm. Nara Furtado, pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), confirma que há registros da espécie em Cachoeiro de Itapemirim e em Vargem Alta. A planta varia de 3 a 10 metros de altura, inicia a frutificação aos três anos e tem casca rugosa que se descama.

A produção é sensível a alterações no ecossistema: altitude, umidade e a presença de abelhas sem ferrão são citadas por Adenilson como fatores essenciais. Ele conta que montou um pequeno apiário para favorecer a fecundação. A escassez de abelhas e as mudanças nas condições de umidade, associadas às transformações humanas no habitat, reduziram a ocorrência da espécie, que é considerada rara.

Gastronomicamente, a gabiroba é usada em geleias, bolos, cachaça, mousses, bombons e ceviche. Um fruto pode chegar a 400 g; a colheita ocorre entre junho e agosto. Devido à raridade, o produtor informou que o preço pode chegar a R$ 100 por quilo e que toda a sua colheita é distribuída gratuitamente, principalmente na forma de mudas e doações para atividades educativas e culinárias.

Fonte: G1 – Você conhece a gabiroba gigante? Fruta rara da Mata Atlântica ficou famosa ao vencer concurso de sorvete

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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