O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) aprovou, em 23 de junho de 2026, a renovação de uma cota que permite a importação sem tributação de veículos elétricos enviados ao Brasil desmontados (CKD) e semimontados (SKD).
Na decisão, o Gecex manteve a distinção entre os formatos de entrada de veículos no país: kits CKD referem-se a automóveis montados no Brasil a partir de peças importadas; SKD descreve unidades que entram semimontadas e exigem menor integração final; e CBU identifica carros que chegam totalmente montados ao mercado nacional. O governo também esclareceu que não haverá cotas para importação de veículos já montados (CBU).
O formato SKD tem sido usado como etapa inicial por empresas que implantam fábricas no Brasil, já que demanda menos mão de obra local e permite aproveitar processos produtivos externos e tecnologias específicas de componentes que ainda não são fabricados no país. A reportagem incluiu imagem da fábrica da BYD em Camaçari (Região Metropolitana de Salvador), registrada por Malu Vieira/g1 BA.
A decisão provocou reação da indústria automotiva nacional. Em nota, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou que a medida contraria os interesses de trabalhadores, montadoras brasileiras e fornecedores de autopeças. A entidade criticou a falta de consulta prévia ao setor produtivo e disse que a mudança reverte uma política federal que buscava conciliar a expansão da eletromobilidade com atração de investimentos produtivos de longo prazo.
A Anfavea lembrou que as cotas para importação de kits de veículos elétricos haviam sido encerradas em fevereiro de 2026, conforme definição anterior do governo, e que a prorrogação dos benefícios pode afetar empresas e trabalhadores em nove Estados. A associação também citou investimentos anunciados pelas fabricantes — R$ 140 bilhões até 2033 em eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores — e dados sobre o avanço da eletrificação: em 2025, veículos eletrificados produzidos no país representaram 25,9% das vendas do segmento; os emplacamentos de eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025; e, até maio de 2026, o mercado atendido por veículos produzidos no Brasil cresceu 57% em relação ao mesmo período de 2025.
Por sua vez, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que a medida está alinhada a iniciativas voltadas à renovação da frota, inovação e descarbonização do setor automotivo, visando veículos mais sustentáveis e redução de emissões de CO2.
Reportagem com André Fogaça, Isabela Bolzani, Mariana Assis e Alexandre Martello.


