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quarta-feira, abril 29, 2026

Guerra no Irã reduz em 31,47% exportações brasileiras ao Golfo Pérsico em março

Exportações brasileiras ao Golfo Pérsico caem por impacto do conflito e alterações nas rotas marítimas

As vendas do Brasil para os países do Golfo Pérsico registraram queda expressiva em março, afetadas pelos desdobramentos da guerra no Irã e pelas dificuldades de navegação no Estreito de Hormuz. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados na plataforma ComexStat, o total exportado ao bloco somou US$ 537,1 milhões no mês, recuo de 31,47% em relação a março do ano anterior.

O Golfo Pérsico reúne mercados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. Aproximadamente 75% das vendas brasileiras a esses países são formadas por produtos do agronegócio, setor mais atingido pela interrupção parcial do tráfego marítimo, que prejudica especialmente cargas que dependem de embarques regulares e em grande escala.

Cargas como o milho praticamente deixaram de ser enviadas em março, enquanto as exportações de açúcar e melaços tiveram forte retração. Outros cereais também sentiram o efeito: no caso do trigo e do centeio, não houve embarques relevantes ao Golfo no período, segundo os registros oficiais.

A principal explicação para a redução nas remessas está na logística. Com a elevação do risco na região, companhias de navegação passaram a aplicar sobretaxas e a optar por rotas mais longas, muitas vezes evitando a passagem pelo Estreito de Hormuz e contornando o continente africano. Esses desvios aumentam o tempo de viagem e elevam os custos do transporte.

Analistas destacam que episódios como o conflito no Irã evidenciam a retomada da influência de fatores políticos sobre o fluxo de commodities e das cadeias logísticas. Para Pedro Ros, CEO da Referência Capital, as tensões internacionais tendem a mudar rotas, pressionar custos de seguro e provocar maior volatilidade nos preços, exigindo mais planejamento por parte das exportadoras.

Apesar da queda geral das exportações ao Golfo em março, alguns produtos mantiveram procura e ajudaram a sustentar o comércio com a região. As carnes continuam entre os pilares da pauta brasileira: o frango segue como o principal item exportado ao Golfo, liderando as vendas externas em 2025 e no início deste ano. A carne bovina também apresentou avanço no valor exportado, movimento atribuído majoritariamente à alta dos preços internacionais e não necessariamente ao aumento do volume embarcado.

O relacionamento comercial é bilateral: o Brasil também importa insumos essenciais do Golfo, sobretudo fertilizantes nitrogenados. Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos figuram entre os principais fornecedores desses produtos. Em razão das incertezas sobre a duração do conflito e das dificuldades logísticas, empresas brasileiras anteciparam compras para formar estoques, o que ajudou a elevar as importações de fertilizantes nitrogenados vindos desses países em mais de 265% em março, conforme dados do MDIC.

O movimento mostra como a instabilidade geopolítica em uma rota marítima estratégica pode repercutir em volumes e custos do comércio exterior brasileiro, sobretudo no segmento de agronegócio.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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