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sábado, outubro 31, 2026

Ibovespa cai 18% em uma semana após reeleição de Lula e registra quinta pior semana desde o Plano Real

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou a semana em 167.922 pontos, acumulando uma queda de mais de 18% após cinco pregões consecutivos de baixa. O movimento foi desencadeado pelo resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo especialistas ouvidos.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, essa foi a quinta pior semana do Ibovespa desde o Plano Real. A perda só ficou atrás de momentos de crise como a semana encerrada em 20 de março de 2020 (início da pandemia), quando o índice caiu 18,88%; a semana de 31 de outubro de 1997 (crise asiática), com recuo de 22,17%; a de 10 de outubro de 2008 (crise do subprime), com queda de 20,01%; e a semana encerrada em 14 de setembro de 2001, após os ataques de 11 de setembro, quando o índice recuou 18,12%.

A Elos Ayta também estimou que as empresas brasileiras listadas na B3 perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado na semana que seguiu o segundo turno — um montante comparado a uma Petrobras inteira mais R$ 229 bilhões.

O câmbio sofreu forte pressão: a Ptax, referência do dólar calculada pelo Banco Central, registrou alta de 7,61% na semana, a maior variação semanal desde setembro de 2011, segundo a consultoria. O levantamento considera o período a partir de 1999, quando o Brasil adotou o regime de câmbio flutuante; o recorde semanal registrado foi em janeiro de 1999, com alta de 21,11%.

Especialistas atribuem a turbulência à revisão de expectativas do mercado após a vitória de Lula. Investidores haviam precificado um resultado diferente no segundo turno, com a aposta em mudança de rumo da política econômica no caso de vitória do então candidato Flávio Bolsonaro (PL). Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, observou que o Ibovespa saiu de cerca de 186 mil pontos no fim de setembro e chegou a superar 205 mil pontos na sexta-feira anterior ao segundo turno, e definiu a queda como a desmontagem dessa aposta.

Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, afirmou que o movimento foi puxado principalmente por investidores estrangeiros, que já vinham reduzindo posições antes do resultado oficial, e que a venda se intensificou após o anúncio, enquanto pessoas físicas passaram a comprar ações.

A situação das contas públicas também aparece no centro das preocupações. A dívida bruta do país alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões — um patamar que aumenta a sensibilidade do mercado a sinais de controle de gastos e estabilidade fiscal. Gestores consultados dizem que o mercado agora busca clareza sobre quem será o ministro da Fazenda e qual será o plano fiscal apresentado pelo governo para ancorar expectativas.

Para os analistas, a expectativa é de continuidade da volatilidade nos próximos dias, com foco em anúncios sobre a equipe econômica, no plano fiscal e na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, marcada para a quarta-feira seguinte, quando o mercado reavaliará a probabilidade de corte de juros ou manutenção da taxa em 13,75%.

Alguns especialistas afirmam que é possível um repique técnico após a forte queda, mas ressaltam que uma recuperação sólida depende de sinais claros de previsibilidade na política econômica, evolução das contas públicas e manutenção de resultados corporativos. Fatores externos — como tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo — também podem continuar a pressionar os mercados mesmo depois do impacto inicial das eleições.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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