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sexta-feira, junho 26, 2026

Irrigação transforma Vão do Paranã, em Goiás, de região empobrecida a polo de fruticultura

Vão do Paranã, GO, troca seca por produção anual com projeto de irrigação

O acesso à água está mudando a economia de assentamentos no Vão do Paranã, no nordeste de Goiás, área historicamente conhecida como “corredor da miséria”. Com a implantação de sistemas de irrigação, assistência técnica e incentivo à fruticultura, agricultores familiares passaram de produção de subsistência para cultivos comerciais de maracujá e manga.

O projeto técnico é coordenado pela Embrapa e recebeu recursos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Até o momento, 80 produtores rurais são beneficiados, com investimento total de R$ 23 milhões. A meta do programa é atender 250 famílias e expandir a irrigação para 500 hectares na região.

O êxito da iniciativa também está ligado à geografia local. Cercado pela Chapada dos Veadeiros e pela Serra Geral de Goiás, o Vão do Paranã concentra águas subterrâneas que facilitam a perfuração de poços artesianos, condição que viabiliza o fornecimento contínuo de água mesmo durante a estação seca do Cerrado.

O modelo técnico prevê que cada família receba um kit de irrigação e assistência para cultivar dois hectares: um hectare destinado ao maracujá, cultura de ciclo curto que começa a produzir em cerca de seis meses; e um hectare para manga, que leva cerca de quatro anos para iniciar a produção e pode permanecer produtiva por várias décadas. Em algumas propriedades, a colheita de maracujá já atingiu cerca de 30 toneladas por safra — o dobro da média nacional.

Moradores de um assentamento em Flores de Goiás relatam mudanças concretas. A agricultora Júlia Pereira de Andrade diz que chegou a passar dois anos sem água na propriedade e que a perfuração do poço alterou a rotina da família, permitindo irrigar pomares que geram renda. O marido, João, que trabalhava fora em ocupações temporárias, passou a dedicar-se à produção local.

Os resultados financeiros já aparecem em várias propriedades. Júlia afirma ter faturado aproximadamente R$ 15 mil em dois meses com a venda de maracujá e abóbora, montante que ajudou a pagar o financiamento do projeto e a custear melhorias domésticas, como a aquisição de eletrodomésticos e sistemas de energia solar.

O projeto também tem influência social: jovens com formação agrícola, como o técnico Daniel Rodrigues, de 19 anos, optaram por permanecer nas terras da família e aplicar conhecimentos para ampliar a produção frutícola. Produtores como Edgar Rodrigues passaram a se ver como pequenos empresários rurais e projetam mercados maiores, inclusive externo.

Entre os desafios persistem a comercialização irregular e a dependência de atravessadores, que pressionam preços e reduzem margens. Para enfrentar esse obstáculo, agricultores criaram uma cooperativa e aguardam a conclusão de uma agroindústria financiada pelo governo estadual, com a expectativa de processar maracujá e manga em polpas no próprio território.

O programa, que hoje beneficia 80 famílias — cerca de 30 em fase de colheita —, tem atraído interesse para ser replicado em outras unidades da federação, como Bahia, Mato Grosso e Minas Gerais, conforme o modelo for expandido.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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