16.7 C
Uberlândia
sexta-feira, junho 26, 2026

Quatro das dez redações nota mil do Enem 2025 apresentaram grandes divergências entre corretores

Quatro das dez redações que alcançaram a nota máxima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 registraram diferenças significativas nas avaliações dos corretores, segundo microdados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O caso mais emblemático envolveu um candidato do Recife que recebeu 600 pontos de um avaliador e 760 de outro; após sucessivas instâncias avaliadoras, a nota final acabou sendo 1.000.

O processo de correção do Enem prevê pontuação de 0 a 1.000 e mecanismos para resolver discrepâncias. Quando a diferença entre os dois primeiros corretores excede 80 pontos, um terceiro avaliador é acionado. No exemplo citado, o terceiro atribuiu 960 pontos. Diante da manutenção da divergência entre as três notas, foi convocada a chamada “quarta instância” — uma banca corretora que analisa o texto com conhecimento das avaliações anteriores e cuja decisão é definitiva, descartando as notas anteriores. No caso do candidato do Recife, a banca final estabeleceu a nota 1.000.

O Inep afirmou à reportagem que o procedimento segue “rigorosamente os parâmetros pedagógicos, metodológicos e operacionais previstos nos instrumentos oficiais do exame” e descreveu a banca final como “altamente qualificada, composta por doutores e especialistas”.

Professores que atuaram nas correções e docentes de cursinhos disseram que variações pequenas são previsíveis devido a possíveis erros humanos, mas divergências expressivas apontam para falhas na capacitação dos avaliadores. Entre as principais hipóteses para as discrepâncias estão critérios distintos para classificar repertórios socioculturais como “de bolso” — citações superficiais ou descontextualizadas que, segundo o manual do candidato, devem ser penalizadas na competência 2 — e mudanças nas regras de correção adotadas em 2025.

Os microdados mostram casos com oscilações de até 80 pontos em competências específicas. No exemplo do aluno 5, de Fortaleza, as notas atribuídas à competência 2 variaram de 200 a 120 entre avaliadores; situação semelhante ocorreu com o aluno 7, de Lauro de Freitas (BA). Em uma redação, a citação ao filósofo Achille Mbembe foi julgada pertinente pela banca final, mas havia sido desconsiderada e penalizada por outro corretor.

Em fevereiro de 2026, o g1 revelou que o Inep havia enviado, após treinamentos presenciais, um documento complementar orientando que a competência 2 deveria dialogar com a competência 3, o que passou a permitir punições em duas competências por repertórios considerados inadequados. Em dois dos casos nota mil, as pontuações na competência 3 oscilaram entre 120 e 200; no caso do aluno 5, o terceiro avaliador deu 120 pontos enquanto a quarta instância atribuiu a pontuação máxima.

Especialistas citados pela reportagem, como Thiago Braga, gestor de Linguagens, afirmaram que o problema parece decorrer do processo de formação dos corretores, com diferenças nas orientações recebidas regionalmente, o que teria provocado interpretações diversas sobre as novas regras.

Das dez redações nota mil, seis foram avaliadas de forma unânime pelos dois primeiros corretores, sem necessidade de convocação de terceiros ou da banca corretora extraordinária.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também