Na sexta-feira (21), a Avibras anunciou a venda de 100% das ações de sua controladora, a Nova AVB S.A., para a Globe Investimentos, veículo do Grupo J&F ligado aos irmãos Joesley e Wesley Batista. A empresa informou que a operação ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do atendimento a outras condições para que a transferência de controle seja efetivada.
Como se formou a Nova AVB
A negociação envolve a Nova AVB, criada durante o processo de recuperação judicial da Avibras, e não a companhia histórica que permaneceu responsável pelas dívidas discutidas na Justiça. Em março de 2022, a Avibras entrou em recuperação judicial alegando passivos de R$ 600 milhões. Para preservar os ativos estratégicos — como o parque fabril e as tecnologias desenvolvidas — credores e investidores reorganizaram a estrutura societária, resultando na separação dos ativos operacionais pela Nova AVB.
Crise, retomada e aporte privado
A crise financeira interrompeu a produção na unidade de Jacareí e motivou uma greve de trabalhadores que durou mais de três anos. A retomada das atividades só foi possível após uma captação de R$ 300 milhões articulada pelo Fundo Brasil Crédito junto a investidores privados. Entre esses investidores estava Joesley Batista, que assinou contrato de participação meses antes de a Globe assumir o controle; o montante exato aportado por ele não foi divulgado.
Com o aporte, a planta da Avibras Aeroco em Jacareí voltou a operar em maio deste ano. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a unidade e indicou a intenção do governo de ampliar encomendas à empresa como parte da política de fortalecimento da base industrial de defesa.
Importância estratégica e reação institucional
A Avibras é responsável por sistemas militares de destaque, como o sistema de foguetes Astros, além do desenvolvimento do míssil tático de cruzeiro MTC-300, contratos com as Forças Armadas e histórico de exportações de equipamentos militares. Por esse caráter sensível, o negócio suscitou atenção do Congresso: em agosto, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara aprovou um requerimento para que o Ministério da Defesa esclareça o andamento da negociação e a situação da empresa.
Para o grupo J&F, a aquisição representa uma movimentação fora do foco tradicional de atuação, que inclui alimentos, energia, mineração e serviços financeiros. A Avibras afirmou que continuará informando o mercado sobre os desdobramentos da operação.
A conclusão da transação permanece condicionada às aprovações regulatórias e ao cumprimento das exigências previstas no acordo.
Fonte: Paranaibamais


