Os jovens brasileiros estão lendo e comprando mais livros, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL). O país registrou milhões de novos compradores no ano passado, com o maior crescimento de consumo concentrado na faixa etária entre 18 e 34 anos.
O aumento da leitura entre os mais jovens é associado ao papel das redes sociais na difusão de obras e na formação de comunidades leitoras. Tendências como o “BookTok” e perfis literários têm transformado livros em conteúdo viral, aproximando obras de públicos que, segundo criadores de conteúdo, podem identificar-se com recomendações informais e pessoais.
A criadora de conteúdo literário Beatriz Paludetto comenta o efeito desse fenômeno: “Você encontra pessoas que leem um livro que, aparentemente, se você estivesse, sei lá, andando na livraria, não te chamaria atenção. Mas alguém que parece que poderia ser seu amigo fala: ‘Nossa, que legal esse livro. Ele mexeu comigo por causa disso, disso e disso. E é um livro muito bom’. Eu acho que traz essa proximidade e eu acho que ajuda as pessoas mais novas a encontrarem ali uma identificação, para encontrar o conforto na literatura também.”
Outra evidência do aumento do interesse é o desempenho da biblioteca digital recém-lançada pelo Ministério da Educação, o MEC Livros, que registrou mais de 122 mil empréstimos gratuitos em apenas uma semana. O acervo público reúne cerca de 8 mil títulos e também se tornou tema nas redes sociais.
Apesar da expansão do consumo digital, muitos leitores continuam valorizando o espaço físico das livrarias. A livraria Bibla, por exemplo, investe em uma experiência sensorial, com iluminação, música, aroma de café e mobiliário pensado para transformar a visita em um momento de encontro e descoberta. A sócia e livreira Luciana Gil afirma: “Aqui, no nosso caso, a gente planejou pensando numa experiência sensorial completa. Então, desde essa luz gostosa em que a gente está aqui, uma música baixinha, um cheiro de café, uma poltrona, um tapete… tudo isso forma mais do que um espaço: é um lugar. E a gente queria que esse lugar fosse um lugar de encontro, então o espaço é imprescindível, né? Nesse mundo tão virtual, os encontros, os lugares, o que é palpável, o que a gente consegue sentir, isso não tem como tirar da conta.”
De acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, da CBL, os brasileiros ainda compram mais exemplares físicos do que digitais, embora a maioria das aquisições seja realizada pela internet. A nova geração, portanto, parece combinar consumo digital e compartilhamento em redes, alimentando comunidades e tornando a leitura uma atividade menos solitária.
Beatriz Paludetto reforça essa transformação: “Principalmente nessa proximidade que a gente tem com as redes sociais hoje em dia. Para as pessoas é muito mais fácil encontrarem, por exemplo, fandoms de livros com os quais se conectam para conversar sobre isso. Então, muitas pessoas que leem criam conteúdo também na internet, por lazer e por diversão mesmo. Eu acho que essa questão de se aproximar de outros leitores realmente faz a leitura ser menos solitária.”
‘Quarta Asa’ é citado como um dos fenômenos de venda no mercado editorial brasileiro.
Fonte: G1


