A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) retomou, nesta segunda-feira (4 de maio de 2026), o leilão das subfaixas de 700 MHz (708–718 MHz e 763–773 MHz) com o objetivo de acelerar a expansão da telefonia móvel em áreas rurais e ao longo de rodovias. Após determinação judicial, o certame resultou em outorgas que somam cerca de R$ 23 milhões destinadas a operadoras regionais.
Os lotes arrematados foram os seguintes: Lote A1 (Norte e São Paulo) – Amazônia Serviços Digitais, outorga mínima de R$ 7 milhões; Lote A2 (Nordeste) – Brisanet Serviços de Telecomunicações, outorga mínima de R$ 6,2 milhões; Lote A3 (Centro-Oeste, exceto Triângulo Mineiro) – Brisanet Serviços de Telecomunicações, outorga mínima de R$ 1,8 milhão; Lote A4 (Sul) – Unifique Telecomunicações, outorga mínima de R$ 3,4 milhões; e Lote A5 (Sudeste, exceto SP) – IEZ! Telecom, outorga mínima de R$ 4,4 milhões.
A Anatel destaca que a faixa de 700 MHz tem melhor propagação, alcançando maiores distâncias e atravessando obstáculos físicos com menos antenas, características que a tornam adequada para localidades rurais e trechos de rodovias. Segundo a agência, o modelo adotado no leilão não visa apenas arrecadação: as empresas vencedoras terão compromissos de investimentos em infraestrutura e modernização de redes para garantir serviços mais estáveis.
O edital obriga cobertura em mais de 6,5 mil quilômetros de rodovias federais em 16 estados, com foco em “zonas de silêncio” — trechos sem sinal de telecomunicações — que incluem vias como BR-101, BR-116, BR-135, BR-163, BR-242 e BR-364. A licitação priorizou provedores regionais que já foram contemplados em lotes do Edital do 5G de 2021 na faixa de 3,5 GHz.
De acordo com a Anatel, ofertar a faixa de 700 MHz a esses investidores cria condições técnicas mais favoráveis para a competição com grandes operadoras nacionais, já que muitas dessas empresas contam com autorizações em outras parcelas da mesma faixa e em frequências com características de propagação semelhantes, como 850 MHz. A agência afirmou que, sem acesso ao espectro de 700 MHz, novos entrantes enfrentariam custos maiores para cobrir grandes áreas usando apenas frequências mais altas, o que poderia inviabilizar operações em regiões de menor atratividade econômica.
O investimento previsto relacionado ao leilão é de cerca de R$ 2 bilhões, com potencial para beneficiar mais de 864 localidades, especialmente áreas rurais e remotas. A Anatel informou que o objetivo é assegurar cobertura contínua de voz e dados nas rodovias, reforçando a eficiência logística e a capacidade de resposta em emergências. O edital também prevê a possibilidade de outorga do Serviço Móvel Pessoal (SMP) para ampliar a concorrência e melhorar a qualidade dos serviços de telecomunicações.
Fonte: G1


