A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de até R$ 227 mil nas contas de Ana Cristina Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, para garantir a devolução de recursos do Fundo Eleitoral utilizados em sua campanha à Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2022. A medida decorre da rejeição das prestações de contas da candidata pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
Quem é Ana Cristina Valle
Ana Cristina Valle foi casada com Jair Bolsonaro e é mãe de Jair Renan Bolsonaro, vereador em Santa Catarina pelo PL e pré-candidato a deputado federal. Segundo reportagens citadas pelo portal Poder 360, ela chefiou o gabinete do então vereador Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro entre 2001 e 2008 e chegou a ser mencionada em investigações sobre o esquema conhecido como “rachadinha” envolvendo gabinetes ligados à família Bolsonaro na Alerj. Empresas e parentes próximos também apareceram nas apurações.
Reportagem da revista Época, citada pelo mesmo portal, apontou que Ana Cristina teria adquirido 14 imóveis entre 1997 e 2008, período em que era casada com Bolsonaro, sendo cinco desses negócios pagos em dinheiro. Na ocasião, a defesa negou irregularidades e afirmou que os fatos divulgados não correspondiam à realidade.
Nas eleições de 2022, Ana Cristina concorreu pelo Progressistas à Câmara Legislativa do Distrito Federal e obteve 1.485 votos, ficando fora da disputa por uma vaga. O financiamento dessa campanha com recursos do Fundo Eleitoral deu origem ao processo que culminou no bloqueio de seus bens.
Por que as contas foram rejeitadas
Ao analisar a prestação de contas da campanha, o TRE-DF encontrou que Ana Cristina declarou despesas de R$ 303.488,96, das quais R$ 134.462,26 não foram devidamente comprovadas — o equivalente a 44,31% do total declarado. Após aplicação de correção monetária e encargos, o valor a ser ressarcido aos cofres públicos foi calculado em cerca de R$ 227 mil.
O tribunal apontou ausência de documentação suficiente para confirmar a prestação de serviços, falta de notas fiscais e contratos e inconsistências em gastos com militância de rua, alimentação, combustível e impulsionamento de conteúdo na internet. Foram também identificadas irregularidades relacionadas à criação de páginas eletrônicas, locação de bens e contratação de prestadores. Entre os pontos destacados está o pagamento de aluguel referente a período posterior ao encerramento do pleito e despesas com combustível sem comprovação de vínculo com veículos usados na campanha.
O relator do processo, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, concluiu que as falhas comprometem a regularidade da prestação de contas e impedem a fiscalização adequada do uso do dinheiro público.
Como será cobrada a dívida
Com a rejeição das contas transitada em julgado, iniciou-se o procedimento de cobrança para garantir a devolução dos valores ao Tesouro Nacional. Como não houve pagamento voluntário, a Justiça Eleitoral autorizou o bloqueio de ativos financeiros para assegurar o cumprimento da decisão.
Se os recursos localizados nas contas bancárias não forem suficientes para quitar a dívida, a execução poderá recair sobre outros bens registrados em nome da ex-candidata, incluindo veículos e imóveis.


