16.7 C
Uberlândia
terça-feira, junho 16, 2026

Lula chega ao G7 em Évian com agenda de reuniões e desafios para evitar isolamento diante de conflitos globais e atritos com EUA e UE

Presença brasileira no fórum ampliado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia nesta terça-feira (16/06) sua participação oficial no encontro ampliado do G7 em Évian-les-Bains, na França, ao qual foi convidado pelo anfitrião Emmanuel Macron. A participação do Brasil ocorre a partir do segundo dia das discussões ampliadas do fórum que reúne as sete maiores economias industrializadas do mundo.

Lula já realizou uma reunião bilateral com Macron na tarde de segunda-feira, em que trataram de cooperação em defesa, tecnologia e das expectativas para a cúpula. Na agenda desta terça estão previstas reuniões bilaterais com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com António Costa, presidente do Conselho Europeu — encontro que, segundo interlocutores, foi solicitado pelos representantes europeus.

Contexto diplomático e possíveis encontros com Trump

Também presente em Évian está o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que elevou as expectativas sobre eventuais contatos entre os dois líderes. Até o momento não há confirmação de uma reunião bilateral entre Lula e Trump, e interlocutores do governo brasileiro afirmaram que não houve pedido formal à Casa Branca por um encontro privado. Ainda assim, a convivência nos painéis ampliados e nos corredores pode propiciar encontros informais.

O clima entre Brasil e EUA tem tensões recentes, como a possibilidade de aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras e a decisão americana de designar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas — este será o primeiro contato entre Lula e Trump após essa designação.

Prioridades do G7 e impactos para a pauta brasileira

Especialistas consultados pela reportagem apontam que a atenção do fórum deve recair sobre o conflito entre EUA e Irã e sobre a guerra na Ucrânia. No domingo (14/06) foi anunciado um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, com assinatura prevista para sexta-feira (19/06) e possível reabertura do estreito de Ormuz, temas que devem dominar parte das discussões.

Clarissa Forner, professora de Relações Internacionais da UERJ, e Lauren Sukin, professora de Política Externa dos EUA na Universidade de Oxford, destacam que a pauta norte-americana estará muito centrada na questão iraniana e na mobilização europeia sobre o Oriente Médio, o que pode reduzir o espaço para tratar de prioridades brasileiras. Oliver Stuenkel, pesquisador da Harvard e Carnegie Endowment, observa uma crise interna do G7 e menor capacidade de formar consensos, o que também limita o impacto da presença brasileira.

Questões econômicas, vetos da UE e outras agendas

Uma pauta sensível para o Brasil é a decisão da União Europeia, oficializada na semana anterior, de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no país, medida que deve vigorar a partir de 3 de setembro. A Comissão Europeia alega falhas na comprovação de exigências sanitárias, especialmente o uso de antimicrobianos na cadeia produtiva. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, disse antes do evento que o governo brasileiro ficou surpreso com o tom da medida e pretende tratar o assunto com os europeus.

No calendário do presidente brasileiro constam ainda encontros bilaterais com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o primeiro-ministro do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, além de participação em sessões temáticas. Nesta terça Lula discursa em um painel sobre solidariedade internacional aos países em desenvolvimento, em que deve defender maior Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). Na quarta-feira (17/06) participa de sessão sobre crescimento econômico equilibrado, na qual pretende defender reformas na governança global, citando instituições como a OMC e a ONU.

Também em 17/06, a comitiva brasileira participará de um almoço sobre inteligência artificial com executivos da área, entre eles Sam Altman (OpenAI), Dario Amodei (Anthropic) e Arthur Mensch (Mistral), tema em que o Brasil busca influenciar para evitar domínio exclusivo do Norte Global e da China e apresentar avanços regulatórios nacionais, como alterações no Marco Civil da Internet.

Esta é a décima participação de Lula no G7 ao longo de seus três mandatos. Os membros plenos do grupo são Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão; a União Europeia participa como membro institucional. Além do Brasil, foram convidados Ucrânia, Índia, Quênia, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos e Catar.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também