A Lynas Rare Earths informou nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, ter fechado um acordo para comprar 100% da Meteoric Resources em uma transação estimada em A$ 968 milhões (aproximadamente R$ 3,5 bilhões), que transfere o controle do projeto Caldeira, de terras raras, localizado em Minas Gerais.
O pagamento será realizado por meio de troca de ações: cada acionista da Meteoric receberá 0,0207 ação da Lynas por ação que possui. A operação equivale a A$ 0,286 por ação da Meteoric, valor 68,4% superior ao preço de fechamento do papel em 30 de setembro.
A conclusão do negócio está sujeita a condições habituais, incluindo aprovação dos acionistas da Meteoric, autorização judicial e aprovações regulatórias. As empresas preveem enviar aos acionistas, em dezembro, o documento com os detalhes da operação. A assembleia dos acionistas está marcada para janeiro de 2027 e a finalização do acordo deve ocorrer até março de 2027, caso todas as condições sejam satisfeitas.
O principal ativo da transação é o projeto Caldeira, descrito pelas companhias como o maior recurso conhecido de terras raras em argilas iônicas fora da China. O projeto tem recursos minerais estimados em 128 milhões de toneladas e conta com um estudo definitivo de viabilidade (DFS).
De acordo com a Lynas, o Caldeira possui recursos estimados em 802 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr) e 41 mil toneladas de óxidos de disprósio e térbio (DyTb), elementos empregados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs de alto desempenho. O estudo da Meteoric projeta produção média anual de cerca de 3.862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb ao longo da vida útil do projeto.
A Lynas estimou investimento superior a US$ 500 milhões para desenvolver o empreendimento e indicou que avaliará a possibilidade de instalar no Brasil etapas de processamento das terras raras, além de integrar a produção do Caldeira às suas operações existentes na Austrália e na Malásia.
Após a conclusão, os acionistas atuais da Meteoric detinham, em base totalmente diluída, cerca de 5,9% das ações da Lynas. O conselho da Meteoric recomendou por unanimidade a aprovação da operação, condicionada à inexistência de proposta superior e à conclusão de um especialista independente de que o negócio atende aos interesses dos acionistas. O maior acionista da Meteoric, Tolga Kumova, e partes associadas, que possuem aproximadamente 6,7% das ações, também manifestaram intenção de votar a favor nessas mesmas condições.
Como parte do acordo, a Lynas oferecerá à Meteoric uma linha de financiamento de até A$ 110 milhões para apoiar o desenvolvimento do Caldeira, despesas da operação e capital de giro durante o processo. Uma primeira parcela de A$ 35 milhões ficará disponível após a assinatura; a liberação do valor remanescente dependerá do cumprimento de condições previstas no acordo.
A aquisição também depende de aprovações de autoridades brasileiras, incluindo autorização relacionada à mudança de controle da Meteoric exigida por regras nacionais sobre direitos minerários vinculados a minerais críticos e estratégicos. A Lynas afirmou que pretende trabalhar com a equipe atual da Meteoric e aproveitar o conhecimento local da companhia sobre o projeto e o setor mineral brasileiro.
Fonte: G1


