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quinta-feira, setembro 10, 2026

Macsuara, primeiro ator indígena do cinema brasileiro, vive em Uberlândia e vende plantas medicinais

Macsuara Kadiwéu, de 64 anos, mora em Uberlândia e comercializa plantas e raízes medicinais em uma barraca situada atrás do Centro Municipal de Cultura da cidade. Natural do Mato Grosso do Sul, ele é apontado como o primeiro ator indígena a protagonizar um longa-metragem brasileiro e manteve atuação relevante no cinema nacional e internacional desde a década de 1980.

Trajetória e vida pessoal

Filho de uma família de nove irmãos, Macsuara nasceu em área indígena nas proximidades de Aquidauana e Campo Grande. Criado pela avó, que não falava português, passou a infância em contextos urbanos e começou a trabalhar cedo. Hoje vive com a esposa e a filha em Uberlândia; a venda de plantas serve para complementar o sustento da família, enquanto ele afirma não misturar esse rendimento com os ganhos advindos do cinema.

Percurso até o cinema

Na juventude, Macsuara foi a São Paulo em busca de trabalho e contato com outros povos indígenas. Na Praça da República conheceu pessoas do povo Guarani e, por meio de um contato chamado Itairano, passou temporadas em aldeias e em Ubatuba. Essas experiências domésticas e rituais marcaram sua trajetória pessoal e cultural.

No Rio de Janeiro, passou a vender produtos e falar sobre plantas em praças, onde atraiu atenção do público e de produtores de mídia. Participou de programas de televisão e passou a ter um quadro no rádio conhecido como “Disk Pajé”, no qual orientava ouvintes sobre usos cotidianos de plantas. O reconhecimento no meio radiofônico abriu portas para o cinema.

Principais trabalhos e reconhecimento

Em 1984, após contato com a atriz Zezé Motta, Macsuara integrou o elenco do filme Quilombo, de Cacá Diegues. No ano seguinte, protagonizou Avaeté – Semente da Vingança (1985), de Zelito Viana, interpretando Avá, um sobrevivente de um massacre indígena. A produção recebeu prêmios em festivais como Moscou e o do Rio de Janeiro, e a atuação de Macsuara foi destacada pela crítica internacional.

No mesmo período participou da produção internacional A Floresta de Esmeraldas, de John Boorman. Em 1989 atuou em Kuarup, de Ruy Guerra, rodado no Xingu, contracenando com Fernanda Torres e Cláudia Raia; o filme concorreu à Palma de Ouro em Cannes, onde Macsuara viajou com a equipe.

Ao longo da carreira, ele conviveu e encontrou artistas internacionais como Spike Lee, Robin Williams, Leonardo DiCaprio, Patrick Swayze e Whoopi Goldberg. Para interpretar em cinema, aprendeu técnicas de preparação com atores como Chico Díaz, que o auxiliou a memorizar falas por via auditiva, já que na época não sabia ler.

Atuação recente e projetos

Nos últimos anos, Macsuara participou do videoclipe da faixa “OKE” do projeto audiovisual do álbum EQUILIBRIVM II, da cantora Anitta, em que representa o Pai da Mata e lê trecho de obra de Ailton Krenak. Também integrou o elenco do filme Makunaíma XXI, com Bruno Gagliasso, ainda sem lançamento comercial. Segundo ele, há trabalhos internacionais em andamento que não podem ser divulgados por questões contratuais.

Além da carreira artística, Macsuara manteve participação em movimentos indígenas e em disputas por direitos dos povos originários, ao lado de lideranças como Ailton Krenak; o ator tinha contato com figuras como Chico Mendes, tema que, segundo reportagem, será tratado em matéria futura.





Apesar da visibilidade obtida no cinema e nas artes, Macsuara continua diariamente na barraca de plantas medicinais em Uberlândia, onde atende moradores e turistas, compartilhando saberes ligados às ervas e às tradições que carregou ao longo da vida.

Fonte: https://paranaibamais.com.br/cultura/macsuara-o-primeiro-ator-indigena-do-brasil-mora-em-uberlandia-e-vende-plantas-medicinais/

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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