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domingo, novembro 1, 2026

Mercados de previsão como Polymarket e Kalshi preocupam especialistas por impacto nas eleições dos EUA

O avanço de mercados de previsão — plataformas onde usuários apostam em resultados de eventos, incluindo disputas eleitorais — tem provocado alertas nos Estados Unidos por seu impacto na percepção pública sobre o desfecho das eleições legislativas.

Especialistas apontam que as probabilidades divulgadas por serviços como Polymarket e Kalshi podem ser interpretadas pelo público como resultados praticamente garantidos, embora representem apenas estimativas derivadas de negociações financeiras. Há ainda relatos de tentativas de grupos políticos de influenciar essas probabilidades, o que aumenta o risco de que divergências entre estimativas e o resultado real sejam vistas como indício de fraude.

O que as plataformas fazem

Polymarket e Kalshi oferecem contratos cujo valor depende de acontecimentos, inclusive quem vencerá eleições. As estimativas dessas plataformas começaram a aparecer em coberturas de grandes veículos, ampliando seu alcance no noticiário eleitoral. A Kalshi afirma que suas informações devem ser vistas como complementares às pesquisas tradicionais e reconhece que as probabilidades não asseguram um resultado. Em nota à AFP, Elisabeth Diana, diretora de comunicação da Kalshi, disse que investidas para manipular probabilidades costumam ser corrigidas pelas negociações de outros usuários.

Riscos de interpretação e medidas

Para Davina Hurt, diretora de ética governamental do Centro Markkula de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara, as plataformas “se tornaram cada vez mais parte de como os americanos entendem as eleições” e as expectativas do mercado, muitas vezes, podem ter mais influência do que os próprios votos. Hurt alerta que “uma alta probabilidade não é uma promessa” e que previsões erradas tendem a ser interpretadas como escolha equivocada, o que pode alimentar desconfiança.

Em junho, nas primárias para a Prefeitura de Los Angeles, a derrota do republicano Spencer Pratt gerou acusações de fraude por influenciadores de direita que citaram estimativas das plataformas indicando chances de o candidato avançar. Algumas publicações no X vinham identificadas como “parceria paga”. O episódio levou Polymarket e Kalshi a adotar medidas sobre a divulgação desse tipo de conteúdo. Michael Sánchez, porta-voz do Escritório de Registro Eleitoral do Condado de Los Angeles, afirmou que a primária mostrou como expectativas de mercados podem ser confundidas com resultados.

Em documento obtido pela AFP, a Kalshi orientou parceiros a não questionarem resultados oficiais sem fundamentos e afirmou que romperá contratos com quem fizer acusações sem provas de manipulação ou fraude. A Polymarket não respondeu aos pedidos de comentário.

Regulação e reação de autoridades

Os mercados de previsão enfrentam disputas judiciais sobre o enquadramento regulatório, debatendo-se se devem seguir regras de mercados de commodities ou legislação de apostas. Nos EUA, autoridades eleitorais também demonstraram preocupação: Jared DeMarinis, responsável pela administração das eleições em Maryland, solicitou avaliação sobre a legalidade de apostas sobre disputas eleitorais e proibiu mesários de apostarem em resultados, alegando que envolver dinheiro na disputa pode colocar em dúvida a legitimidade do resultado.

No Brasil, desde maio de 2026 o Conselho Monetário Nacional proibiu contratos vinculados a resultados eleitorais, entre outros eventos sem ligação a indicadores econômicos, o que levou ao bloqueio de plataformas como Polymarket e Kalshi no país.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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