O Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre o risco de reintrodução do sarampo no Brasil ligado ao aumento do deslocamento de pessoas para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México — países que apresentam surtos ativos da doença.
Segundo nota técnica do ministério, o panorama epidemiológico nas Américas é crítico: o vírus mantém alta transmissibilidade e circulação global, com centenas de milhares de casos recentes. Nos três países-sede do Mundial há transmissão contínua, o que eleva a probabilidade de importação de casos ao Brasil.
O documento informa que o Brasil mantém, desde 2024, o status de livre de circulação endêmica do vírus, mas considera o cenário vulnerável em razão da presença de pessoas não vacinadas e do histórico recente de casos importados. Em 2025, a maioria das infecções confirmadas ocorreu em indivíduos sem esquema vacinal completo.
Dados citados pelo ministério apontam para aumento expressivo das ocorrências nos países que sediarão o evento. No Canadá foram notificados 5.062 casos em 2025, o que provocou a perda do status de livre da doença; em 2026 já foram confirmados 124 casos até o momento. No México, os registros saltaram de 7 casos em 2024 para 6.152 em 2025, com 1.190 ocorrências apenas em janeiro de 2026, conforme dados preliminares. Nos Estados Unidos, houve 2.144 casos durante 2025 e 721 no primeiro mês de 2026.
Esse cenário levou à classificação de risco muito alto para a região das Américas. O ministério ressalta que a combinação de locais com baixa cobertura vacinal e o aumento da mobilidade internacional favorece o surgimento de novos surtos.
Recomendações para viajantes
A principal orientação das autoridades é a atualização da caderneta de vacinação. A vacina tríplice viral (proteção contra sarampo, caxumba e rubéola) é indicada como medida preventiva mais eficaz. O ministério recomenda que a aplicação ocorra, idealmente, com antecedência mínima de 15 dias antes do embarque; em quem precisa completar esquema vacinal o intervalo pode ser maior para assegurar proteção adequada.
As recomendações de calendário apontam:
- Crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias: dose zero, aplicada pelo menos 15 dias antes do embarque.
- Crianças a partir de 12 meses até adultos de 29 anos: esquema de rotina com duas doses, sendo a 1ª dose pelo menos 45 dias antes da viagem e a 2ª dose 30 dias depois da 1ª; considerar cerca de 15 dias após a 2ª dose para soroconversão.
- Adultos de 30 a 59 anos: esquema de rotina com uma dose, iniciada no mínimo 15 dias antes do embarque.
Além da imunização, o ministério orienta atenção a sintomas como febre, manchas na pele, coriza e conjuntivite durante e após a viagem. Em caso de sinais suspeitos, é recomendado procurar serviço de saúde e informar sobre deslocamento internacional.
Vigilância e ações locais
O Ministério da Saúde reforça que vacinação e vigilância ativa são fundamentais para evitar a reintrodução do vírus. Estados e municípios receberam orientação para intensificar campanhas de imunização, com foco em viajantes. Profissionais de saúde devem manter vigilância elevada, notificar casos suspeitos imediatamente e conduzir investigação rápida para interromper eventuais cadeias de transmissão.
A orientação também inclui evitar discriminação contra viajantes ou grupos com baixa adesão vacinal, assegurando atendimento conforme critérios técnicos.
Fonte: Paranaibamais


