Resumo
Em relato publicado em 15 de agosto de 2026 na Revistasoberana, uma mulher descreve as múltiplas mudanças físicas, emocionais e práticas vividas durante o climatério — o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. O texto reúne experiências pessoais, recomendações para o cotidiano e alertas sobre sinais que exigem avaliação médica.
O que é e como se manifesta
O climatério é definido como a transição entre as fases reprodutiva e não reprodutiva da vida de uma mulher e pode durar anos. No relato, a autora compara essa fase ao puerpério: enquanto, no pós-parto, sabe-se que um bebê cresce, no climatério a sensação é de que a própria mulher renasce — algo que, segundo ela, raramente é anunciado.
Sintomas e impactos
Entre os sintomas destacados estão fogachos (ondas de calor), alterações do sono, noites maldormidas, sensação de calor e palpitações noturnas. O texto também cita alterações na pele, cabelos, articulações, visão e intestino, descrevendo a impressão de que o organismo faz uma “auditoria geral”.
A autora relata diagnóstico de doenças autoimunes, artrite, cirurgia para síndrome do túnel do carpo nas duas mãos e um quadro de líquen plano oral que, após biópsia, revelou câncer da língua tratado cirurgicamente. Ela enfatiza que mudanças persistentes no corpo não devem ser automaticamente atribuídas à idade e exigem investigação profissional.
Adaptações práticas sugeridas
Como medidas práticas, o relato indica repensar a organização da casa — evitar escadas quando possível, pisos escorregadios e móveis com quinas —, escolher cadeiras com bom apoio para coluna, usar travesseiro de corpo para quem dorme de lado, instalar barras de apoio no banheiro e retirar tapetes que escorregam. Em relação aos fogachos, ventilador e ar-condicionado passam a ser recomendados como medidas de conforto doméstico.
Para problemas de sono relacionados ao parceiro — ronco, movimentos involuntários e espasmos noturnos —, o texto menciona protetores auriculares, colchão maior e, em alguns casos, quartos separados como estratégias de preservação do relacionamento.
Sexualidade e terapia hormonal
A autora aborda a secura vaginal comum no pós-menopausa e sugere lubrificantes, hidratantes vaginais e tratamentos locais sob orientação médica. Relata ainda ter utilizado diferentes estratégias de reposição hormonal e cuidados locais ao longo do percurso e informa, atualmente, usar Systen Conti® — adesivo transdérmico de terapia hormonal — sempre conforme recomendação profissional. Ela ressalta que a terapia hormonal é decisão individual e que o que funciona para uma mulher pode não servir para outra.
Imagem corporal, estética e identidade
O relato cita mudanças no espelho — perda de colágeno, rugas, alterações nos cílios e diferenças na eficácia de depilação a laser em pelos brancos — e recomenda escolher profissionais de estética que respeitem a expressão e a identidade da paciente. A hidratação corporal é apontada como cuidado essencial, não apenas vaidade.
Aspectos sociais e emocionais
A autora descreve uma libertação progressiva em relação à necessidade de agradar e buscar aprovação, e aponta que a idade pode devolver liberdade para escolher batalhas, dizer não e priorizar propósitos pessoais. Faz referência à “hipótese da avó” observada em orcas, que ilustra como fêmeas pós-reprodutivas contribuem para o grupo, para sublinhar que a experiência das mulheres mais velhas tem valor social.
O relato conclui afirmando que, após a última menstruação, há muita vida: redescobrir o corpo, reinventar o sono, negociar o desejo, escolher companhias e ocupar um outro lugar no mundo.


