24 C
Uberlândia
quinta-feira, setembro 3, 2026

ONU: aquecimento acima de 1,5°C deve aumentar riscos à saúde, agricultura e economia

Especialistas alertam para impactos socioeconômicos e ambientais

Um comunicado das Nações Unidas divulgado na quarta-feira (2) indica que a temperatura média global deverá ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento nos próximos anos. Pesquisadores e especialistas ouvidos após o anúncio afirmam que esse cenário tende a elevar a frequência de desastres naturais, ondas de calor, secas históricas, chuvas intensas e perdas na agricultura.

André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), classificou a notícia como motivo de preocupação e afirmou que o resultado exige ações imediatas para alterar a trajetória atual. Segundo ele, ainda há possibilidade de redesenhar o futuro, desde que sejam tomadas medidas para reduzir a queima de combustíveis fósseis, interromper a conversão de florestas e mudar a relação humana com a natureza.

No evento promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Thelma Krug, presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), destacou que a gravidade dos impactos dependerá tanto da intensidade quanto da duração do aquecimento. Ela apontou que a temperatura global está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais e que a taxa de aumento é de aproximadamente 0,26°C por década.

Thelma explicou que quanto mais tempo o planeta permanecer acima de 1,5°C, maior será a necessidade de remover dióxido de carbono da atmosfera e mais difícil será reverter o aquecimento. Em sua estimativa, mantidas as emissões atuais, restariam cerca de três ou quatro anos para limitar o aumento da temperatura.

O economista Sergio Margulis, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, chamou atenção para os custos econômicos já observados: prejuízos em infraestrutura, agricultura, saúde e energia que, segundo ele, equivalem a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Margulis defendeu a ampliação imediata dos investimentos na transição energética, destacando que o mundo atualmente destina cerca de 2 trilhões de dólares à descarbonização, montante que, em sua avaliação, precisa subir para cerca de 5 trilhões ou mais.

Embora tenha afirmado que governos também terão de aumentar a aplicação de recursos em adaptação, Margulis ressaltou que a prioridade é reduzir emissões, porque a adaptação não soluciona o problema físico do aquecimento.

Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima (OC), afirmou que o comunicado da ONU funciona como um alerta para evitar uma ultrapassagem ainda maior de 1,5°C. Angelo disse que abandonar a meta de retorno a esse nível não é opção e defendeu o fim imediato da expansão de combustíveis fósseis. Segundo ele, a COP31, prevista para ocorrer em dois meses, será uma oportunidade para decisões nessa direção.

A notícia segue sem desdobramentos anunciados pelas autoridades internacionais além do comunicado inicial das Nações Unidas.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também