O Banco Central do Paraguai começou, na tarde de quinta-feira (5), a efetuar os primeiros pagamentos a correntistas do Ueno Bank, instituição que teve sua operação suspensa e deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso aos depósitos. A informação sobre o início dos pagamentos foi confirmada nesta sexta-feira (6) por José Maciel, diretor da Unidade Administradora do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do Banco Central paraguaio, à agência AFP.
Segundo comunicado do Banco Central, a primeira etapa do ressarcimento contempla clientes que tenham até 10 milhões de guaranis depositados no Ueno Bank, desde que não possuam dívidas com a instituição e estejam com conta habilitada em outra entidade financeira do país. Nestes casos, o fundo prevê o pagamento integral dos valores depositados.
O órgão informou que os pagamentos destinados a outros grupos de correntistas serão divulgados posteriormente, de acordo com o andamento do processo e dentro dos prazos previstos na legislação vigente. O Fundo de Garantia de Depósitos é o mecanismo responsável por assegurar a devolução de depósitos aos clientes de instituições financeiras, dentro dos limites legais.
O Banco Central também esclareceu que pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao Ueno Bank não têm direito à cobertura do FGD, em conformidade com a Lei nº 2.334/2003. Caso algum vinculado receba valores do fundo, deverá devolvê-los ao FGD no prazo de 24 horas, sujeitando-se a possíveis medidas judiciais.
O Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai e principal emissor de cartões de crédito no país, passou por intervenção após ajustes contábeis que reduziram seu índice de solvência para menos da metade do mínimo exigido pelos reguladores. A situação motivou investigação do Ministério Público, que pediu a prisão de oito pessoas ligadas ao banco; ao todo, 27 pessoas são alvo de apurações por suspeita de fraude e estelionato.
Nos meses anteriores à crise, havia fiscalização sobre suposto financiamento indireto da venda de uma carteira de ativos ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno; o banco negou participação na operação. A crise ganhou repercussão política: Carlos Carvallo, que presidia o Banco Central e havia comandado o Ueno até agosto de 2023, renunciou na terça-feira (3). O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que foi sócio do grupo controlador até março de 2025, passou a enfrentar pressão pública.
A intervenção afetou clientes que encontraram agências fechadas, incluindo aposentados que recebem benefícios por meio do banco. O Ueno administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, entre eles valores do Instituto de Previdência Social (IPS). O governo anunciou acordo com lideranças do Congresso para acelerar votação que autorize o uso do Fundo de Garantia de Depósitos para ressarcir clientes e proteger recursos públicos.
Autoridades do Banco Central e o presidente afirmaram que o caso é pontual e não reflete um problema sistêmico no sistema financeiro do país. A Superintendência de Bancos anunciou nomeação de auditores para verificar os ativos do Ueno. A crise também pressionou títulos em dólar do banco e papéis da dívida pública paraguaia, além de levantar preocupações sobre o ambiente de investimentos no país.
Reportagem em atualização. Com informações da AFP.


