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quarta-feira, agosto 12, 2026

Participação ativa na paternidade altera cérebro e comportamento dos pais, diz estudo e livro

Pesquisas e relatos compilados no livro “O cérebro do pai” indicam que a chegada de um filho provoca mudanças neurológicas e comportamentais nos homens que participam ativamente da criação. Exames de imagem mostram redução de massa cinzenta em áreas específicas do cérebro paterno, alteração que os autores interpretam como um processo de poda e otimização de circuitos para aumentar a sensibilidade a sinais e necessidades do bebê.

Como começa a transformação

Enquanto a gestação expõe a mãe ao contato físico com o feto por meses, o pai vivencia a paternidade de forma distinta até o nascimento. Com o parto, elementos concretos da rotina — noites interrompidas, troca de fraldas, banhos, alimentação e a leitura de sinais do bebê — tornam-se parte do cotidiano e desencadeiam mudanças cerebrais e comportamentais nos homens envolvidos.

Aprendizado e rompimento de ciclos

Muitos homens desejam participar mais dos cuidados, mas enfrentam barreiras por não terem sido ensinados a desempenhar tarefas domésticas ou rotineiras na infância, fruto de modelos machistas. A literatura destaca que cuidar é uma habilidade que se aprende e que o papel do pai pode ser construído com prática. Em situações de filhos neurodivergentes, o aprendizado é ainda mais exigente, incluindo coordenação de tratamentos com psicólogo, psiquiatra e psicopedagogo — e sacrifícios financeiros e profissionais, como o exemplo de um pai que vende churros para custear terapias.

Presença vai além do sustento

O material ressalta que a presença paterna não se limita ao aspecto econômico. Estatísticas citadas apontam que, quanto menor a renda, menor a probabilidade de o pai morar com o filho, mas há pais que priorizam estar com a criança mesmo diante de dificuldades financeiras. Gestos de escuta ativa — como abaixar-se à altura da criança para falar e ajudar a regular emoções em vez de punir — são destacados como formas de cuidado que fortalecem a relação e auxiliam na gestão emocional dos filhos.

Impactos sobre a saúde dos pais

A paternidade também pode afetar o bem-estar masculino: cerca de 1 em cada 10 pais pode apresentar irritabilidade ou tristeza. Embora o risco de transtornos de humor e ansiedade seja maior entre as mães, homens também experimentam alterações hormonais, privação de sono e mudanças metabólicas que podem levar ao ganho de peso. Pesquisadores recorrem ao comportamento de algumas espécies animais — em que machos engordam antes ou depois do nascimento dos filhotes — para levantar hipóteses sobre funções protetivas dessa reserva corporal.

Transformação do papel tradicional

O modelo clássico do pai provedor tem perdido espaço com a maior entrada das mulheres no mercado de trabalho e a necessidade de divisão de tarefas. A comparação entre o nível de envolvimento de parceiros pode gerar frustrações: algumas mães avaliam a participação do pai a partir da própria dedicação, enquanto muitos homens se comparam ao padrão de cuidado recebido na infância. Controle excessivo por parte da mãe sobre a forma como o pai cuida pode levar à exclusão ou acomodação dele; a recomendação é cobrar presença, mas permitir que o pai desenvolva seu estilo de cuidado.

Pais solo e a rede de apoio

Caso extremo da sobrecarga é o do pai solo: o texto cita que existem cerca de 1,2 milhão de pais solo no Brasil. Um dos relatos acompanha um homem que criou o filho sozinho por quatro anos, conciliando trabalho, escola e casa, e que recorreu a apoio psicológico e encontrou na música uma forma de lidar com a experiência.

Importância da comunidade e efeitos para os filhos

O livro defende que criar uma criança exige apoio coletivo, e que o enfraquecimento das redes tradicionais tornou o desafio mais duro para famílias urbanas. Crianças com pais presentes tendem a apresentar melhores habilidades sociais, maior saúde mental e desempenho escolar superior. Além disso, homens que convivem com os filhos frequentemente adotam hábitos mais saudáveis e reduzem comportamentos de risco. Ainda assim, o material ressalta que a maior parte da responsabilidade pelos cuidados continua recaindo sobre as mães, e que o aumento da participação paterna não deve ser visto como disputa, mas como forma de reduzir a sobrecarga feminina e promover relações familiares mais equilibradas.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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