15.8 C
Uberlândia
sábado, junho 27, 2026

Picanha sobe mais de 10% no ano; todos os cortes de carne bovina ficaram mais caros no primeiro semestre

Carne mais cara no primeiro semestre

Todos os cortes de carne bovina registraram alta de preços no primeiro semestre de 2026, segundo a prévia da inflação de junho divulgada pelo IBGE. A picanha acumulou aumento de 10,66% no ano, enquanto a alcatra subiu 9,48%. O filé-mignon avançou 10,20%.

Outros cortes também tiveram variações relevantes: o peito bovino subiu 10,90% e o acém aumentou 9,33%. Entre as menores altas estão o patinho, com 6,61%, e o cupim, com 5,75%.

Por que os preços subiram

Especialistas atribuem o encarecimento principalmente à corrida dos frigoríficos para exportar carne à China antes do término das cotas, o que reduziu a oferta no mercado interno. Em janeiro, a China instituiu uma sobretaxa de 55% sobre as exportações de carne bovina brasileira que excederem 1,1 milhão de toneladas em 2026; abaixo desse volume, a tarifa permanece em 12%.

Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, afirma que a medida chinesa inverteu o padrão usual de comércio do Brasil — que normalmente exporta mais no segundo semestre — e provocou um aumento das vendas ao exterior já no início do ano. Segundo projeções da Safras & Mercado, o país deve alcançar 98% da cota destinada à China até o fim deste mês, deixando pouco espaço para embarques sem tarifa adicional em julho.

Em relatório mensal, a consultoria Agro do Itaú BBA também aponta o ritmo acelerado das exportações como principal fator de pressão sobre os preços. Entre janeiro e maio de 2026, os envios ao mercado chinês cresceram 24% em relação ao mesmo período de 2025, e a China respondeu por 51% do total embarcado.

Embora a temporária desaceleração das compras chinesas possa aliviar o mercado doméstico nos próximos meses, analistas alertam para o risco de nova alta de preços até o fim de 2026. Entre os fatores citados estão o fenômeno El Niño, o aumento da demanda nos Estados Unidos e a possível retomada mais intensa das compras pela China no segundo semestre.

Demanda e fatores domésticos

Iglesias destaca que a redução da oferta pesa mais que o crescimento do consumo interno. Ele chama atenção para o baixo poder de compra do brasileiro, o alto nível de endividamento e o impacto das apostas, que, na avaliação do consultor, retiram recursos da circulação e afetam o consumo de alimentos básicos.

Sobre a suspensão das compras pela União Europeia, o analista avalia que o efeito sobre os preços será limitado, porque o bloco representa cerca de 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina. A União Europeia anunciou no início de maio a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco, medida que passa a vigorar em 3 de setembro.

O quadro projetado é de oferta mais restrita e demanda aquecida no último trimestre de 2026, o que, segundo consultorias, tende a pressionar os preços para cima.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também