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domingo, maio 24, 2026

Por que as roupas estão tão caras na Argentina e por que o governo Milei estimula compras no exterior

Argentinos que podem viajar ao exterior ou encomendar roupas pela internet têm buscado renovar o guarda-roupa fora do país diante de preços domésticos considerados muito elevados. A prática é ilustrada por Macarena, de 29 anos, que no primeiro dia em Miami comprou roupas sem provar e já planejou espaço na mala para trazer as peças ao voltar à Argentina.

O que dizem os relatórios

Relatório da Secretaria de Comércio da Argentina, publicado em março do ano passado, indicou que o país tem as roupas mais caras da região. Estudos de consultorias privadas e da própria Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário confirmam que, em média, preços locais superam os de mercados vizinhos — uma camiseta internacional, por exemplo, pode custar até 95% a mais do que no Brasil, segundo o levantamento citado.

Fatores que elevam o preço

Setores e especialistas apontam uma combinação de tributos, custos financeiros e barreiras à importação como motivos centrais. Entre os encargos citados estão o IVA de 21%, o imposto sobre movimentações bancárias de 1,2% (chamado de “impuesto al cheque”), taxas de 1,8% para pagamentos com cartão e o custo do parcelamento, que adiciona quase 15% ao preço final — prática utilizada em cerca de 90% das compras de roupas no país. Esses tributos, somados a outros custos, fazem com que uma peça produzida localmente seja, segundo a indústria, entre 25% e 30% mais cara do que no Chile.

Abertura ao comércio e respostas do governo

Nos últimos meses, o governo do presidente Javier Milei reduziu tarifas de importação de roupas e calçados de 35% para 20% e liberou compras internacionais via courier, além de extinguir licenças não automáticas de importação que exigiam autorizações prévias. As medidas visam aumentar a concorrência e baixar preços locais, afirma o Executivo.

Impactos no setor têxtil

Representantes da indústria relatam efeitos adversos: segundo a Câmara do setor, as vendas de marcas argentinas caíram em média 38% nos últimos 18 meses, mais de 1.600 lojas fechadas e mais de 10 mil trabalhadores formais demitidos. A produção local de roupas teria recuado 15% no último ano, enquanto os preços subiram 15% no mesmo período — abaixo da inflação acumulada de 33% registrada até fevereiro de 2026.

O governo contesta a narrativa de perda de empregos, afirmando que ocorre uma “realocação da força de trabalho”. Desde o início de sua gestão, no fim de 2023, Milei eliminou 24 impostos, embora os cortes não tenham atingido necessariamente o setor têxtil.

Debate sobre soluções

Enquanto a indústria pede redução de tributos e alguma proteção cambial, o governo defende maior abertura para importações e concorrência externa, incluindo produtos vindos da China. Economistas e representantes do setor divergem sobre o ritmo da abertura: alguns consideram positiva a liberalização no longo prazo; outros alertam que mudanças muito rápidas podem prejudicar empresas que ainda precisam se adaptar.

Na prática, consumidores que podem viajar continuam comprando em centros como Miami ou Santiago e cada vez mais recorrem a plataformas e envios diretos do exterior. Macarena disse que pretende testar compras online de marcas chinesas depois de ver amigas terem boas experiências.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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