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sábado, agosto 1, 2026

Por que muitos consumidores acham que os biscoitos eram melhores antigamente

Consumidores relatam diferenças no sabor, textura e quantidade, mas especialistas dizem que não há prova de que os produtos antigos eram de qualidade superior.

Relatos nas redes sociais e lembranças de infância têm alimentado a impressão de que os biscoitos vendidos hoje não são como os de décadas passadas. A sensação de piora envolve mudanças no recheio, na crocância e até na quantidade entregue nas embalagens. Para explicar esse fenômeno, pesquisadores e economistas apontam uma combinação de alterações nas fórmulas, processos industriais, pressão econômica e memória afetiva.

O que mudou nas fábricas

Especialistas do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) afirmam que mudanças de ingredientes, de fornecedores, de processos de produção e de embalagens podem alterar atributos sensoriais como sabor, aroma, textura e crocância. Reformulações recentes também foram feitas para reduzir nutrientes considerados críticos — açúcar, sódio e gordura saturada — e para se adequar à rotulagem frontal conhecida pelo símbolo de lupa com alertas de “alto em”.

A professora Fernanda Vanin, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, ressalta que, paralelamente às reformulações, os controles de segurança alimentar tornaram-se mais rígidos. Um exemplo citado é o monitoramento e a redução da acrilamida, substância que pode se formar em alimentos ricos em carboidratos aquecidos e cuja exposição elevada foi associada a risco em estudos com animais. Segundo Vanin, esses controles diferenciam os produtos atuais dos antigos.

Fatores econômicos: shrinkflation, skimpflation e cheapflation

Pressões sobre matérias‑primas como trigo, açúcar, óleo vegetal e cacau e a inflação dos alimentos levaram fabricantes a adotar estratégias para manter preços e margens. Entre elas estão a “reduflação” (shrinkflation), quando a quantidade é reduzida sem variação de preço — por exemplo, um pacote que passa de 200 g para 180 g —; a “skimpflation”, quando ingredientes mais caros são substituídos por alternativas mais baratas; e a “cheapflation”, com expansão de produtos mais simples enquanto versões premium permanecem mais caras.

Em 2021, o Ministério da Justiça e Segurança Pública estabeleceu regras para a transparência em casos de redução de quantidade, exigindo informação clara na embalagem ou por outros meios por um período determinado.

Percepção individual e mercado

O personal trainer Henrique Lira, de 44 anos, afirma ter notado mudanças na textura, no recheio e na quantidade de pacotes que consumia nos anos 1990. Pesquisadores do Ital explicam que, além das alterações reais nas fórmulas, há um componente de memória afetiva — a idealização do sabor da infância, chamado de efeito “Ratatouille”.

A Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) informou que as reformulações visaram atender regulações e novos hábitos de consumo, reduzindo açúcar e sódio, substituindo aditivos e ampliando produtos enriquecidos com fibras e proteínas ou destinados a pessoas com restrições alimentares. Apesar das mudanças, a entidade destaca que a categoria permanece presente em 99% dos lares brasileiros e que pacotes de até 150 g já representam cerca de 42% do mercado.

O setor também percebe um comportamento chamado “efeito ampulheta”: consumidores economizam em itens básicos, mas continuam dispostos a pagar mais por produtos considerados especiais em momentos de indulgência.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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