A sustentabilidade dos portos brasileiros ganha relevância diante da iminente implementação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que tende a ampliar o comércio entre os blocos e a exigir adequações nas cadeias logísticas a padrões ambientais mais rígidos procedentes da Europa. As novas regras afetam diretamente a competitividade do país e colocam a infraestrutura portuária em posição estratégica para o comércio exterior.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) tem direcionado investimentos à descarbonização e à modernização dos terminais, transformando a agenda ambiental em um diferencial para as exportações brasileiras. A adaptação da logística às exigências ambientais europeias passa a ser condição para manter e ampliar o acesso a mercados internacionais.
Exigências ambientais e impacto no agronegócio
A União Europeia tem fortalecido normas ambientais que atingem o transporte marítimo e o comércio global, incluindo medidas para reduzir as emissões de carbono das embarcações e a possível inclusão do setor marítimo em sistemas de precificação de carbono. Essas intervenções obrigam países exportadores, como o Brasil, a promover ajustes na cadeia logística para preservar sua competitividade.
Para produtores rurais, a adequação a esses requisitos deixa de ser apenas uma demanda ética e passa a ser uma necessidade comercial. O atendimento às regras ambientais pode ser determinante para a manutenção e expansão das exportações do agronegócio brasileiro.
O ministro Tomé Franca ressalta que a sustentabilidade já é um componente estratégico para o crescimento econômico. Segundo ele, a transformação da logística global exige investimentos em eficiência energética e inovação, fatores que reforçam a infraestrutura nacional e aumentam a capacidade do país de responder às demandas do comércio internacional.
Iniciativas sustentáveis em terminais portuários
Alguns complexos portuários brasileiros já executam projetos voltados à transição energética e à redução de emissões. No Complexo Industrial Portuário de Suape está em construção o que será o primeiro terminal de contêineres totalmente elétrico da América Latina, com investimentos superiores a R$ 2 bilhões.
O Porto de Santos implementou o sistema Onshore Power Supply (OPS), que permite o fornecimento de energia elétrica às embarcações atracadas, reduzindo o uso de diesel. Essas ações diminuem emissões e aumentam a eficiência energética, com benefícios ambientais e econômicos locais.
Fonte: Uberlandianofoco


