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quarta-feira, maio 20, 2026

Pressão da UE sobre exigências sanitárias ameaça competitividade da carne brasileira

A suspensão das exportações de carne do Brasil para a União Europeia acendeu um sinal de alerta no setor do agronegócio, diante das exigências sanitárias impostas pelo bloco. A União Europeia passa a demandar comprovações rígidas sobre rastreabilidade e controle do uso de antimicrobianos, o que pode comprometer a participação brasileira no mercado mundial de proteínas.

Para a advogada Ieda Queiroz, do escritório CSA Advogados, a questão extrapola o simples acesso a compradores europeus. Segundo ela, a imagem do país no comércio internacional de carnes está em jogo, já que a UE não aceita suposições de conformidade e requer evidências documentais e auditáveis.

Desafios na cadeia produtiva

Entre as exigências europeias estão auditorias independentes, registros completos e a rastreabilidade individual dos animais em toda a cadeia — do produtor rural ao abate e processamento industrial. Isso obriga que cada etapa seja registrada e passível de verificação por auditores, situação que representa um grande desafio operacional para diversos elos da produção brasileira.

O Ministério da Agricultura e Pecuária tem reunido relatórios técnicos e dados de fiscalização na tentativa de demonstrar aprimoramentos na governança sanitária do país. Mesmo assim, a restauração do acesso ao mercado europeu depende da demonstração contínua e verificável de conformidade com os requisitos do bloco.

Em abril de 2026, o governo federal baniu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, medida avaliada como avanço regulatório. Porém, especialistas apontam que a proibição isolada não atende a todas as demandas da União Europeia, que também requer sistemas de rastreabilidade robustos e procedimentos de auditoria independentes.

Uma investigação da Irish Farmers’ Association concluiu que adequar-se às normas da UE é um processo demorado e complexo, identificando falhas na rastreabilidade e desigualdades regionais que podem dificultar a conformidade em território nacional.

Além das exigências sanitárias, a resistência antimicrobiana e o cumprimento do Regulamento Europeu de Desmatamento figuram como potenciais barreiras comerciais adicionais. Com a suspensão das exportações, o setor já percebe pressão sobre contratos futuros; estima-se que a perda anual, caso o problema persista, possa alcançar US$ 2 bilhões.

Especialistas ressaltam que o Brasil dispõe de capacidade técnica para atender às normas internacionais, mas destacam a necessidade de acelerar a integração entre órgãos públicos e a cadeia privada, com sistemas integrados e auditáveis de conformidade sanitária e rastreabilidade.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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