Com a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 marcada para o sábado (13), a pergunta sobre as reais chances do Brasil conquistar o sexto título volta a ganhar espaço. Um grupo de pesquisadores em Matemática e Computação, o Previsão Esportiva, calcula que a probabilidade de o país ser campeão do torneio é de 9,14%.
A estimativa coloca o Brasil entre os cinco times com maiores chances, segundo o levantamento. O cálculo, no entanto, não parte de uma divisão simples dos 100% entre as 48 seleções — hipótese que resultaria em aproximadamente 2% para cada equipe —, mas sim de simulações estatísticas que repetem a Copa do Mundo milhões de vezes para avaliar a frequência com que cada seleção vence.
Como a probabilidade é obtida
Os coordenadores do Previsão Esportiva explicam que a metodologia combina várias variáveis para tornar a projeção mais perto da realidade. Entre os fatores considerados estão:
- Ranking FIFA — pontuação oficial das seleções;
- Ranking ELO — indicador da força competitiva atual com base em resultados internacionais;
- Valor de mercado — soma do valor de mercado dos jogadores convocados;
- Momento atual — variação no ranking ELO ao longo do último ano;
- Histórico na competição — desempenho anterior na Copa do Mundo;
- Fator anfitrião — bônus de força para seleções que jogam em casa.
Ricardo Rocha, professor de Estatística e Inteligência Artificial no Departamento de Estatística da UFBA e um dos coordenadores do grupo, observa que essas variáveis explicam por que algumas seleções aparecem com probabilidades muito superiores às demais. Francisco Louzada, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP de São Carlos e também coordenador do Previsão Esportiva, afirma que o histórico e o desempenho técnico influenciam as chances atribuídas a times como Brasil, França e Inglaterra.
Limites das previsões
Os pesquisadores ressaltam que, embora as simulações deem uma medida mais precisa das probabilidades, modelos matemáticos não preveem o futuro com certeza. Louzada aponta que a acurácia costuma ficar abaixo de 60% a 70% no futebol devido à escassez de gols e ao grande peso do acaso — um lance isolado pode decidir partidas e eliminar seleções fortes. Rocha complementa dizendo que o futebol é um dos esportes mais difíceis de prever, já que nenhuma equipe é totalmente favorita ou totalmente descartável.
O grupo também destaca que o favoritismo para o título tende a se concentrar em poucas equipes: o top 10 reúne quase 80% da probabilidade de conquista, o que evidencia a desigualdade de forças entre as seleções e a dificuldade do torneio. À medida que a competição avança, o Previsão Esportiva atualiza as simulações incorporando os resultados já obtidos, o que pode tornar as projeções para as fases seguintes mais precisas.
Fonte: G1


