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quarta-feira, agosto 12, 2026

Programas locais e canais digitais capitalizam nostalgia ao revisitar passado

Lead: Em Uberlândia, iniciativas locais como o programa Garagem Retrô, na Rádio Educadora, e o canal Uberlândia Retrô utilizam a nostalgia para criar conexão com o público ao resgatar música, imagens e memórias das décadas anteriores aos anos 2000. Pesquisadores e comunicadores apontam que esse retorno ao passado é influenciado por mudanças tecnológicas, econômicas e culturais.

Quem e o que: O radialista Robson Quadros é responsável pelo Garagem Retrô, atração de destaque da Rádio Educadora que mistura seleção musical e quadros temáticos para reconstituir ambientes e lembranças das décadas de 1980 e 1990. O jornalista Kelson Venâncio produz o Uberlândia Retrô e também o Canápolis das Antigas, canais que partem de acervos pessoais e familiares para recuperar imagens, fitas e registros locais.

Onde e como: No rádio, Quadros insere segmentos como o “Túnel do Tempo”, em que revisita desenhos e seriados antigos, e o quadro “Radinho do Vovô”, que busca evocar memórias sonoras ligadas à convivência familiar. Nas plataformas digitais, Venâncio tem digitalizado e publicado arquivos em vídeo e fotografias, transformando materiais de família e de trajetórias profissionais em conteúdo acessível ao público.

Dados de alcance: TRANSMISSÃO: 200 mil visualizações por mês (YouTube), média informada pelo produtor do Uberlândia Retrô como indicador do interesse do público por esse tipo de conteúdo.

Por que a nostalgia atrai conteúdo e audiência

O professor Nuno Manna, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e coordenador do Narra – Grupo de Pesquisa em Narrativa, Cultura e Temporalidade, relaciona a popularidade da nostalgia a um conjunto de fatores: aceleração na circulação de informação, maior oferta cultural e a busca por elementos mais estáveis que funcionem como referência emocional e histórica. Segundo ele, familiaridade reduz riscos para consumidores e para quem produz conteúdo.

Manna também observa que o acesso digital transformou a experiência da memória cultural ao tornar mais fácil a disponibilização de produções antigas, citando a ideia do crítico cultural Mark Fisher de que, na era da memória digital, a perda torna-se menos evidente.

Para os comunicadores, a nostalgia se manifesta tanto pela preservação de acervos quanto pela reconstrução de narrativas pessoais. Venâncio relata que o trabalho com o material acumulado pelo pai — fotógrafo, cinegrafista e radialista em Canápolis — motivou a criação de projetos que resgatam a história local. Já Quadros destaca que o apelo do Garagem Retrô se dá ao remeter os ouvintes a momentos íntimos, como as canções que tocavam na casa dos avós.

Dimensão social e mercadológica

O pesquisador ressalta que a saudade é socialmente construída e frequentemente idealizada, não correspondendo necessariamente a um período histórico isento de conflitos. Segundo Manna, o mercado cultural identificou valor econômico nessa memória: relançamentos, remakes e estéticas retrô oferecem reconhecimento imediato em um cenário de saturação cultural, o que alimenta tendências descritas por críticos como uma “retromania”.





Ao mesmo tempo, o contato com o passado pode gerar novos significados. Manna aponta que revisitar obras e trajetórias permite reconstruções identitárias tanto para artistas quanto para públicos, mostrando que esse movimento nem sempre é mera repetição.

Quem deseja participar do programa de rádio pode consultar a página do Garagem Retrô em https://educadora909.com.br/programacao/garagem-retro/. Para acompanhar mais produções locais e reportagens, o portal Paranaíba Mais está disponível em https://paranaibamais.com.br/.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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