Quem e o que: Multidões saíram às ruas de Paris e de várias cidades francesas neste sábado (24) para participar de manifestações, em meio a forte presença policial. O governo reforçou o efetivo em todo o país para prevenir novos confrontos e saques registrados no fim de semana anterior.
Quantos e medidas de segurança: As autoridades destacaram 70 mil policiais para acompanhar os protestos. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que 135 pessoas haviam sido presas até o início da tarde. Muitas detenções ocorreram após revistas preventivas em que foram encontrados fogos de artifício, rolamentos de esferas e outros objetos que poderiam servir como armas.
Declaração oficial: “Temos que ser extremamente ágeis. Recebemos muitos avisos sobre desordem, tanto de grupos políticos quanto, simplesmente, de criminosos. Vai ser um dia longo”, disse Nuñez a jornalistas.
Como os atos decorreram: Em Paris, a principal marcha começou de forma pacífica. Em Lyon, a polícia recorreu a gás lacrimogêneo para dispersar grupos. O governo mobilizou 10 mil policiais a mais do que no dia 17 de outubro, quando manifestações contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos culminaram em alguns dos piores distúrbios recentes no país.
Impacto na capital: Grande parte do centro de Paris adotou medidas de segurança semelhantes a um lockdown: vitrines foram cobertas com tapumes, museus ficaram fechados e mais de 20 estações de metrô foram interditadas. Entidades do setor empresarial recomendaram que lojas permanecessem fechadas após o registro de milhares de estabelecimentos danificados ou saqueados no fim de semana anterior.
Proprietários e turistas sentiram o efeito das restrições. Oskar, gerente de uma boutique Kiton em Paris, afirmou que “quase não há clientes, então não vale a pena ficar aberto”. Entre os centros culturais que fecharam estavam o Louvre, o Musée d’Orsay e a Ópera de Paris, frustando visitantes como Xavier Dolliole, turista de Nova Orleans, que disse: “Está tudo fechado com tapumes e não sabemos bem para onde ir”.
Questão do percurso: O trajeto da marcha principal em Paris foi alterado após uma disputa judicial provocada por uma ordem policial de última hora, que afastou os organizadores do centro da cidade e redirecionou a manifestação para áreas do sudeste da capital. A polícia justificou a mudança alegando que o percurso original passava por regiões com grande concentração de empresas similares às atacadas no fim de semana anterior.
Líderes de esquerda criticaram a decisão, afirmando que a alteração visava criar dificuldades e dispersar manifestantes. Jean‑Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, declarou que “mais uma vez, os que estão no poder criam transtornos para as marchas e prazos impossíveis para que as organizações se reorganizem”.
Reação dos manifestantes: Alguns participantes consideraram a resposta do governo exagerada, inclusive com o envio de soldados para patrulhar a Champs-Élysées. A estudante de artes Clara Lebbadi, de 22 anos, afirmou: “Choramos pelas lojas, não pelas pessoas que são empobrecidas o ano todo” e acrescentou que quase não compareceu por medo, mas veio para “não deixar a repressão vencer”.
Outras cidades: A primeira marcha autorizada no sábado ocorreu de forma pacífica em Orléans, a cerca de 120 quilômetros ao sul de Paris, onde manifestantes protestaram contra o Reagrupamento Nacional, partido de Marine Le Pen, que realizava um congresso na cidade.
Contexto e tensões: O clima de tensão aumentou após os disparos registrados na sexta‑feira (23), a oeste de Paris. Um atirador, suspeito de motivação islamofóbica, matou uma pessoa e feriu outras quatro, entre elas uma menina de 12 anos. Em reação a isso, autoridades e políticos de esquerda reforçaram a presença nas ruas. Bally Bagayoko, prefeito de Saint-Denis e integrante do partido França Insubmissa (LFI), declarou: “Viemos dizer à extrema direita, cara a cara, que não temos medo”.
As operações policiais e as restrições continuaram ao longo do dia, enquanto as autoridades monitoravam possíveis focos de violência e vandalismo.
Fonte: Uberlandianofoco


