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quinta-feira, outubro 15, 2026

Qualidade da água e altos índices de câncer dominam eleições em Iowa, potência agrícola dos EUA

Água, saúde e política em foco

Iowa, um dos principais produtores norte-americanos de milho, soja e suínos, viu a qualidade da água e os índices de câncer virarem pauta central nas campanhas das eleições de meio de mandato. As questões estão sendo exploradas por candidatos de ambos os partidos em debates, reuniões públicas e propagandas em um contexto de pressão econômica para agricultores, déficit orçamentário e custos elevados.

O tema, antes evitado politicamente por tocar diretamente no setor agropecuário, ganhou espaço após duas temporadas seguidas de restrições de uso da água na região de Des Moines e com o crescimento do movimento “Make America Healthy Again” em cidades pequenas e áreas rurais de Iowa.

Dados de saúde e pesquisa

Iowa registra a segunda maior taxa de novos diagnósticos de câncer nos Estados Unidos, com aumento mais rápido em alguns tipos, como próstata, mama e pulmão, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Um estudo da Universidade de Iowa, financiado pelo governo estadual, concluiu que fatores demográficos e comportamentais — como tabagismo e o consumo excessivo de álcool em episódios isolados — explicam grande parte, mas não tudo, do excesso de incidência de cinco tipos de câncer. A próxima fase da investigação examinará fatores ambientais, incluindo níveis de nitrato na água.

O democrata Josh Turek, candidato ao Senado, tem ligado explicitamente nitratos na água ao risco de câncer. “Todo morador de Iowa merece ter a certeza, ao abrir a torneira, de que sua água está limpa e não está lhe causando câncer”, disse Turek em encontro com pacientes com câncer.

Embora estudos tenham apontado associações entre nitratos na água potável e certas doenças, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não reconhece atualmente os nitratos como fator de risco para câncer. A revisão dessa avaliação começou em 2017, mas o processo foi interrompido e retomado em momentos distintos sob administrações diferentes.

Resposta política e ações locais

A deputada republicana Ashley Hinson reuniu agricultores, pesquisadores e autoridades para debater a qualidade da água, defendendo continuidade de investimentos em infraestrutura, monitoramento e programas de conservação. Ela afirmou que a água tratada que chega às casas atende às normas federais e que a questão não deveria ser partidária.

Há mais de uma década, a companhia de abastecimento de Des Moines entrou na Justiça pedindo que administrações locais ajudassem a custear a remoção de nitratos, cujo custo chegou a cerca de US$ 16 mil por dia; a ação foi rejeitada. No ano passado, a Central Iowa Water Works proibiu, pela primeira vez, a irrigação de gramados para reduzir consumo e aliviar os sistemas de remoção de nitratos.

Embora o estado venha aplicando quase US$ 100 milhões por ano em medidas para reduzir nutrientes na água, em maio a governadora republicana Kim Reynolds e parlamentares destinaram mais US$ 320 milhões para infraestrutura hídrica, incentivos à conservação e modernização de equipamentos, parte dos quais reservada à Central Iowa Water Works. Reynolds afirmou que a qualidade da água “não é negociável”.

Campanhas estaduais e posições divergentes

Na disputa pelo governo, candidatos como o republicano Zach Lahn e o democrata Rob Sand têm colocado a água limpa entre prioridades, sem, porém, propor a obrigatoriedade imediata de práticas de conservação para todos os produtores. Lahn, apoiado pelo comitê MAHA Action, reconhece a importância de fertilizantes e agrotóxicos para a agricultura, mas afirma ser necessário enfrentar o problema da qualidade da água. Ele relatou ter testado água de poço e de um riacho, encontrando níveis de nitrato “muito acima” do permitido.

O limite federal de nitrato na água potável é de 10 miligramas por litro, padrão estabelecido para prevenir a síndrome do bebê azul. Pesquisas investigam se concentrações inferiores a esse patamar podem estar associadas a certos tipos de câncer. Neste ano, a Central Iowa Water Works precisou manter seu sistema de remoção de nitratos em operação por 193 dias consecutivos; no auge do verão, mesmo após tratamento, os níveis ficaram entre 8 e 9 mg/L.

Na disputa pela Secretaria de Agricultura, o pesquisador Chris Jones, agora candidato pelo Partido Democrata, defende exigência de medidas de conservação obrigatórias, posição criticada pelo atual secretário republicano Mike Naig, que considera Jones uma voz isolada. O setor agropecuário local resiste a regras obrigatórias, alegando, entre outros pontos, que nem todos os produtores são donos da terra e que medidas podem reduzir ganhos no curto prazo. Naig, com experiência na Monsanto, ressaltou avanços recentes e disse que as ações serão ampliadas para acelerar resultados.

A atenção crescente do eleitorado à água e à saúde tem marcado a agenda das campanhas, com candidatos e autoridades buscando respostas técnicas e políticas para reduzir nutrientes nos rios e recuperar a confiança da população no abastecimento.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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