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quarta-feira, setembro 16, 2026

Qualidade do sono é o principal hábito ligado ao rendimento escolar e à saúde mental de adolescentes, diz estudo

Um trabalho publicado na revista científica Psychological Medicine concluiu que a qualidade do sono tem a maior associação com sintomas de saúde mental e com o desempenho escolar em adolescentes. A pesquisa usou dados de crianças e jovens de 10 a 13 anos do estudo Adolescent Brain Cognitive Development (ABCD), conduzido nos Estados Unidos.

Objetivo e metodologia

Os autores avaliaram quatro hábitos de vida — qualidade do sono, tempo de tela, atividade física e alimentação — para entender quanto cada um contribui para explicar a relação entre sintomas mentais (depressão, ansiedade e experiências semelhantes à psicose) e o funcionamento acadêmico e social dos jovens. Em termos técnicos, a análise investigou efeitos de mediação, isto é, quanto esses hábitos ajudam a explicar as associações observadas entre saúde mental e rendimento escolar.

Principais resultados

Entre os fatores analisados, a qualidade do sono apresentou as maiores contribuições. Segundo os resultados, o sono explicou 18,5% das associações com sintomas de depressão, 36,3% das associações com ansiedade e 8,3% das associações com perturbações de caráter psicótico. O tempo de tela foi o segundo fator em importância, representando 5% da ligação entre ansiedade e desempenho acadêmico, 6,3% na relação com depressão e 6,2% em casos de experiências semelhantes à psicose. Atividade física e alimentação mostraram efeitos menores nas associações investigadas.

Interpretações dos pesquisadores

Jason Smucny, primeiro autor e neurocientista computacional do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade da Califórnia, afirmou que a predominância do sono sobre os outros fatores foi uma surpresa para a equipe, que esperava importância, mas não que ele se destacasse tanto. Os autores ressaltam que, embora o sono seja um elemento central, ele não é o único responsável por eventuais problemas acadêmicos ou de saúde mental.

Tara Niendam, autora sênior, professora de Psiquiatria e diretora executiva dos Programas de Psicose Precoce da Universidade da Califórnia, observou que rotinas de sono saudáveis podem apoiar o bem-estar emocional e o funcionamento diário de crianças e adolescentes, mas não substituem tratamento profissional quando transtornos já estão estabelecidos. Os pesquisadores apontam ainda que a adolescência é um período crítico para o surgimento de problemas de saúde mental, que podem estar relacionados à má qualidade do sono.

Os autores sugerem que os achados podem orientar futuros estudos de intervenção para verificar se mudanças em hábitos como sono e tempo de tela são capazes de melhorar o desempenho escolar e o funcionamento social de adolescentes. Eles também enfatizam a importância do acompanhamento profissional nos casos que demandem tratamento.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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