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domingo, agosto 9, 2026

Resumos gerados por IA diminuem tráfego de sites de notícias e pressionam financiamento do jornalismo no Brasil

Resumos automáticos produzidos por ferramentas de busca têm reduzido o acesso direto a páginas jornalísticas e afetam o financiamento da imprensa profissional no Brasil, segundo veículos do setor e entidades representativas.

Especialistas indicam que parte dos usuários passou a confiar nos trechos resumidos apresentados por mecanismos de busca em vez de acessar as matérias completas. A mudança ganhou intensidade após maio de 2024, quando o Google lançou o recurso AI Overviews, que exibe sínteses geradas por inteligência artificial.

Levantamento da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que assessora 152 veículos online, mostrou que, em 2025, um em cada quatro portais associados registrou queda superior a 20% na audiência. A entidade classificou a perda de tráfego originada por buscadores como uma preocupação generalizada na indústria.

Para Carla Egydio, diretora de Relações Institucionais da Ajor, a diminuição de acessos compromete a atração de publicidade e o modelo de financiamento baseado em métricas de audiência. Ela alerta ainda que os resumos não reproduzem o conteúdo integral das reportagens, o que pode provocar descontextualização no debate público e existe risco de cópia literal, com caráter de plágio.

O impacto sobre receitas já se refletiu internacionalmente: o Business Insider demitiu 21% de sua equipe em maio de 2025, citando queda de tráfego sensível ao negócio online. A diretoria da empresa afirmou que grande parte de sua operação depende do fluxo de usuários e que a organização precisou reduzir quadro para lidar com potenciais quedas fora de controle.

No campo legislativo, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2338/2023, conhecido como Marco Regulatório da IA, que prevê a remuneração por direitos autorais de obras e reportagens utilizadas no treinamento de modelos e em funcionalidades de IA. O texto, aprovado pelo Senado, está na Câmara desde março de 2025 e foi apontado como prioridade pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), embora não tenha avançado no último semestre.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pressiona pela aprovação do projeto, mas a presidenta Samira de Castro afirma que o lobby das grandes empresas de tecnologia tem dificultado o avanço, especialmente no trecho que trata de direitos autorais. Ela reconhece fragilidades na proposta, mas considera que o texto representa progresso para garantir remuneração ao trabalho jornalístico.

O relator na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse ter dúvidas sobre a operacionalização da remuneração, citando questionamentos sobre como mecanismos funcionariam para artistas e produtores independentes. A comissão especial responsável pelo tema não se reúne desde novembro de 2025; sua presidente, deputada Luiza Canziani (União-PR), não respondeu aos contatos da reportagem.

Empresas de tecnologia criticam o teor aprovado pelo Senado, argumentando que a previsão sobre direitos autorais poderia inviabilizar o treinamento de novos modelos locais e impactar investimentos em infraestrutura digital, segundo nota assinada por entidades do setor, entre elas a Brasscom.

O governo federal manifestou apoio ao PL 2338; o secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Alves de Souza, afirmou em audiência pública que a judicialização envolvendo direitos autorais aumentou e que o uso não autorizado de conteúdo protegido para treinar sistemas de IA configura violação de dispositivos da lei de direitos autorais.

Paralelamente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga desde abril os efeitos do uso de IA no mercado de mídia e avalia se o Google abusou de posição dominante ao empregar conteúdos jornalísticos sem remuneração. Em acordos privados recentes, os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo firmaram tratativas com OpenAI e Google, respectivamente; o acordo da Folha foi fechado após a empresa processar a OpenAI pelo uso de seu conteúdo.

Enquanto o Congresso ainda não vota o marco regulatório, o setor jornalístico segue monitorando perdas de audiência e as implicações econômicas e legais do uso de conteúdo jornalístico por tecnologias de inteligência artificial.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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