A perspectiva de uma safra de grãos recorde no Brasil está sustentando preços elevados do frete rodoviário, mesmo após o auge do escoamento da soja, aponta o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os valores do frete permanecem acima da média histórica, refletindo a forte demanda por caminhões para o transporte de produtos agrícolas.
O crescimento na produção de soja, que aumentou em 8,8 milhões de toneladas em comparação à safra anterior, é citado como um fator central para a continuidade da pressão sobre os preços. Segundo Thomé Guth, superintendente de Logística Operacional da Conab, a oferta recorde da oleaginosa modificou a dinâmica de mercado, que normalmente registra recuo nas tarifas após a colheita.
Impacto regional e logístico
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, as tarifas de frete se mantiveram estáveis, porém em patamares elevados, em função do intenso fluxo logístico exigido para o escoamento da produção. No Mato Grosso do Sul, a procura por transporte seguiu firme mesmo com o término da safra de verão, impulsionada pela continuidade das exportações e pelo volume de cargas.
No Distrito Federal, a alta moderada das tarifas foi influenciada pelo custo do óleo diesel e pela movimentação das safras de soja e milho. Em contraste, estados como Goiás e Bahia registraram desaceleração na demanda por transporte, reflexo da conclusão da colheita da soja e da parada até a comercialização do milho de segunda safra.
São Paulo apresentou tendência de queda nos preços do frete, beneficiada pela redução do custo do diesel e pela menor demanda do setor industrial. Apesar dessas variações regionais, o fluxo exportador segue robusto, com o Brasil embarcando 7,5 milhões de toneladas de milho entre janeiro e maio de 2026, volume superior ao do ano anterior, e com exportações de soja totalizando 55,1 milhões de toneladas no mesmo período, com os portos do Arco Norte liderando os embarques.
O mercado, entretanto, convive com desafios. As importações de fertilizantes recuaram de 15,27 milhões para 15,05 milhões de toneladas, o que levanta preocupação sobre os custos dos insumos. Além disso, potenciais impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño podem afetar a produção agrícola no segundo semestre, segundo os dados analisados pela Conab.
Fonte: Uberlandianofoco


