A chegada da segunda metade do ano costuma intensificar a percepção de estagnação entre muitos brasileiros, segundo a terapeuta emocional integrativa Fabiana Marques. Em seu consultório, ela relata que é comum pacientes afirmarem que o tempo passou rápido e que continuam presos aos mesmos problemas e comportamentos.
Fabiana atribui essa sensação não ao calendário, mas à manutenção de padrões emocionais repetitivos que tornam visíveis conflitos já existentes. “O segundo semestre costuma trazer à tona uma pergunta evitada ao longo do ano: o que realmente mudou na minha vida?”, diz a terapeuta, ao explicar que, para muitas pessoas, mais tempo resultou apenas na repetição das mesmas escolhas guiadas por antigos padrões.
Quem e por que
A preocupação vem em um contexto amplo de saúde mental. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de um bilhão de pessoas no mundo convivem com algum transtorno mental. A OMS também indica que o Brasil tem a maior prevalência de transtornos de ansiedade globalmente, com cerca de 9,3% da população afetada, evidenciando a importância de debater prevenção e cuidados emocionais.
O que dificulta cumprir metas
Fabiana alerta que a incapacidade de atingir objetivos não se resume à falta de disciplina ou força de vontade. Segundo ela, medos como o de fracassar, perfeccionismo e autocobrança costumam se intensificar na metade do ano, mantendo o indivíduo em alerta constante. Essa condição, diz a terapeuta, prejudica a tomada de decisões e alimenta sentimentos de culpa, medo e frustração.
A profissional também diferencia disciplina de autocobrança: enquanto a primeira impulsiona o crescimento, a segunda faz a pessoa sentir que nunca é suficiente.
Ainda dá tempo?
Para quem acredita ter “perdido o ano”, Fabiana Marques propõe reflexão sobre a forma de reagir às situações. Ela afirma que o importante não é o tempo restante, mas se a pessoa continuará repetindo os mesmos pensamentos, emoções e comportamentos até o fim do ano. Entender a origem desses padrões, segundo ela, pode representar uma oportunidade para encerrar o ano de modo diferente.
Sugestão de serviço
Cinco sinais de que a autocobrança pode estar afetando sua saúde emocional:
- Sentir que nunca faz o suficiente;
- Ter dificuldade para celebrar conquistas;
- Comparar-se frequentemente com outras pessoas;
- Sentir culpa ao descansar;
- Desejar mudança e, ainda assim, repetir os mesmos comportamentos.
Sobre Fabiana Marques
Fabiana Marques de Oliveira é terapeuta emocional integrativa. Formada em Direito, com MBA em Liderança e Gestão de Negócios, trabalhou por 17 anos em uma multinacional. Após um episódio de burnout em 2023, ela fez transição de carreira, conheceu a Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG) e passou a acompanhar pessoas que buscam identificar e transformar padrões emocionais que afetam a qualidade de vida.
Fonte: Revistasoberana


