TRANSMISSÃO: Space
A SpaceX, empresa de Elon Musk, apresentou à Securities and Exchange Commission (SEC) um pedido formal para realizar oferta pública inicial (IPO) e pretende negociar suas ações na bolsa Nasdaq com o código “SPCX”. Os documentos entregues à SEC detalham a situação financeira da companhia, sua estrutura acionária e planos estratégicos para os próximos anos.
Nos registros enviados, a SpaceX informou que obteve receita de US$ 4,694 bilhões no primeiro trimestre deste ano, mas encerrou o período com prejuízo operacional de US$ 1,943 bilhão. A maior parte das receitas veio da divisão de conectividade, responsável pela Starlink, que gerou US$ 3,257 bilhões. A área ligada às operações espaciais somou US$ 619 milhões no trimestre.
A empresa declarou que, no curto prazo, não pretende distribuir dividendos aos detentores de ações Classe A, sinalizando que investidores não devem receber participação nos lucros por enquanto. A proposta de capitalização prevê duas classes de ações: as Classe A terão direito a um voto por ação, enquanto as Classe B darão dez votos por papel. Essa configuração preserva o controle significativo de Musk sobre a companhia, que, segundo os documentos, seguirá capaz de influenciar decisões que dependam da aprovação dos acionistas.
Além disso, a SpaceX indicou que será classificada como uma “empresa controlada” após o IPO, o que a isenta de manter maioria independente em seu conselho de administração, prática comum em companhias listadas nos Estados Unidos.
Antes da formalização da oferta, a operação já vinha atraindo interesse em Wall Street. Musk tem sinalizado ao mercado que a SpaceX poderia alcançar valuation de US$ 1,75 trilhão — cifra muito superior à receita anual da empresa. No ano passado, a SpaceX registrou vendas de US$ 18,5 bilhões. A avaliação projetada por Musk equivale a quase 100 vezes o faturamento registrado em 2025, múltiplo considerado acima do observado por grandes empresas de tecnologia.
Com expectativa de estreia na bolsa em meados de junho, analistas e investidores avaliam a possibilidade de o IPO figurar entre as maiores aberturas de capital recentes nos Estados Unidos. O crescimento da Starlink, que já concentra a maior parte das receitas e dos lucros, é apontado como um dos fatores de otimismo.
Os documentos também apontam avanços em projetos de inteligência artificial e computação espacial. A empresa pretende iniciar, a partir de 2028, a implantação de satélites destinados à computação orbital com IA. A SpaceX informou ter firmado contratos de serviços em nuvem com a Anthropic, com possibilidade de pagamento de até US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029, com expansão gradual da capacidade a partir de maio e junho de 2026.
Entre outros planos, a SpaceX revelou a intenção de lançar um produto financeiro voltado a pagamentos e serviços bancários. Os registros mostram ainda que a Tesla detinha 18.990.195 ações ordinárias Classe A da SpaceX em 1º de maio.
O pedido à SEC também traz detalhes sobre a operação envolvendo a Cursor: a empresa terá direito a uma taxa de rescisão de US$ 1,5 bilhão e a uma taxa de serviços diferidos de US$ 8,5 bilhões, e a aquisição da Cursor após o IPO seria paga em ações ordinárias Classe A da SpaceX.
Por fim, os documentos reiteram o objetivo declarado por Musk de manter o foco da SpaceX em tornar a vida multiplanetária e ampliar a presença humana no espaço.
Reportagem com informações da Reuters e AFP.


