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quinta-feira, agosto 27, 2026

Trump amplia temporariamente cota de importação de carne bovina para tentar reduzir preços nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) uma proclamação que amplia, de forma temporária, a cota de importação de carne bovina com tarifa reduzida, anunciou a Casa Branca. A medida, com objetivo de ampliar a oferta no mercado interno e aliviar a pressão sobre os preços ao consumidor, entra em vigor em 1º de setembro e terá duração de 90 dias.

A ampliação incide exclusivamente sobre cortes magros destinados à produção de carne moída e hambúrgueres, e autoriza a entrada de até 100 mil toneladas por mês nesse regime tarifário especial. Segundo o governo, a iniciativa deve elevar a oferta de carne em torno de 10% e reduzir os preços no varejo em cerca de 25% em relação aos níveis atuais.

A Casa Branca ressaltou que a medida não altera acordos de livre-comércio firmados pelos EUA e não se aplica a países que já contam com cotas específicas de carne bovina. Trump já havia anunciado a intenção de ampliar a cota em postagem nas redes sociais na última sexta-feira (21).

Contexto de alta nos preços

Os consumidores americanos enfrentam aumento expressivo no preço da carne bovina. Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que o valor de uma libra (453,59 gramas) de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho de 2026, o que representa alta de 79% em relação ao início de 2019.

Especialistas atribuem a escalada a uma combinação de queda no efetivo de animais e redução da produção em meio a demanda firme. O zootecnista e consultor Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, aponta que o rebanho americano está no menor nível dos últimos 75 anos e que os preços elevados do gado pressionaram os custos repassados ao consumidor. Ele observou que a suspensão, em 2025, da maioria das importações de bovinos vindos do México — motivada por preocupação com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo — também restringiu o abastecimento.

Fabbri avaliou que o efeito direto da expansão da cota sobre o preço final ao consumidor ainda é incerto, pois dependerá das decisões das indústrias e de como elas repassarão a redução de custos ao varejo.

Impacto para o Brasil

O governo brasileiro e seus representantes do setor ainda analisam se o país será contemplado pela ampliação da cota. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que precisa estudar a medida para confirmar eventual inclusão do Brasil.

Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores que costuma ser preenchida nas primeiras semanas do ano; após esse limite, a carne brasileira pode entrar nos EUA, mas fica sujeita a uma tarifa extra-cota de 26,4%. Caso a expansão da cota inclua o Brasil, as condições de acesso ao mercado americano poderiam melhorar.

Em 2026, os Estados Unidos foram o segundo maior destino da carne bovina brasileira. Entre janeiro e julho, as exportações ao mercado americano totalizaram 233,8 mil toneladas, avanço de 17,1% sobre o mesmo período de 2025, gerando US$ 1,54 bilhão, alta de 33,1% na receita, segundo a Abiec. Aproximadamente 50 plantas frigoríficas brasileiras estão autorizadas a exportar para os EUA.

No episódio político doméstico, Trump também pediu a abertura de investigação contra os quatro maiores frigoríficos dos EUA — JBS, National Beef (controlada pela Marfrig), Cargill e Tyson Foods — alegando, na ocasião, que o aumento de preços teria resultado de práticas ilícitas de conluio.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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