Resumo: O presidente Donal Trump anunciou em 28 de agosto um acordo que, segundo ele, dá aos Estados Unidos controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, equivalente a cerca de 21% do total estimado do país.
Em postagem na rede social Truth Social, Trump afirmou que, sob sua direção, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Guerra Pete Hegseth — em cooperação com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e parceiros do setor privado — asseguraram o controle dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo venezuelano, sem custo para o contribuinte americano.
O anúncio ocorre em um contexto em que a Venezuela é considerada detentora das maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris. O país produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.
Trump também afirmou que o acordo ampliaria em mais do que o dobro as reservas de petróleo dos Estados Unidos. A declaração surge quando o governo americano enfrenta pressão antes das eleições de meio de mandato de novembro, em razão da alta nos preços da gasolina. O acesso a petróleo mais barato e o aumento da oferta poderiam aliviar a pressão política, e Washington busca ainda recompor sua Reserva Estratégica de Petróleo, inclusive por meio de trocas com produtores nacionais.
Desde janeiro, quando Nicolás Maduro foi, segundo o texto, sequestrado por tropas americanas e levado a Nova York, os Estados Unidos exercem de fato poder na Venezuela. Maduro encontra-se preso em Nova York, aguardando julgamento. Em seu lugar, foi nomeada Delcy Rodríguez como presidente interina. O governo interino adotou medidas alinhadas a Washington, como a soltura de dissidentes políticos e o envio de petróleo aos Estados Unidos.
Marco Rubio, citado por Trump, é apontado como a autoridade que, na prática, determina ações em Caracas. O secretário de Estado tem defendido maior aproximação com a Venezuela em função da relevância do país para o mercado de petróleo, principalmente após a escalada de tensões com o Irã, que pressionou os preços internacionais da commodity.
Ao mesmo tempo, a oposição venezuelana e entidades de direitos humanos têm exigido avanço nas negociações políticas. A demanda por uma transição mais rápida recebeu apoio de legisladores democratas e republicanos no Congresso dos Estados Unidos. Rubio já havia proposto que, após a saída de Maduro, a Venezuela passaria por três etapas: estabilização econômica, reorganização política e uma transição para eleições.
Desde a captura de Maduro, a administração americana diz trabalhar para garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias dos EUA, objetivo que fundamenta as ações descritas por Trump na divulgação do acordo.


