Vale registra lucro líquido de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre
A mineradora Vale anunciou nesta quinta-feira (30) lucro líquido de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre, recuo de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia atribuiu a queda principalmente à piora do desempenho financeiro, marcada pela marcação a mercado de derivativos e pelo aumento dos tributos sobre o lucro.
Em comunicados separados, a Vale informou ainda a criação de um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, o pagamento de US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio, e o incremento do piso da faixa de estimativas para a produção de cobre e níquel em 2026.
O lucro líquido proforma, que exclui itens não recorrentes, ficou em US$ 1,6 bilhão no trimestre, uma queda de 26% na comparação anual. Entre os fatores que impactaram o resultado, a empresa citou uma variação negativa de US$ 798 milhões na marcação a mercado de derivativos e uma variação cambial que resultou em efeito adverso de US$ 326 milhões relacionado a prejuízos fiscais em subsidiárias.
Esses efeitos foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 642 milhões no Ebitda proforma e pelo impacto contábil da provisão da Samarco registrada no segundo trimestre de 2025, refletida nos resultados de equivalência patrimonial de coligadas e joint ventures.
O Ebitda ajustado somou US$ 3,676 bilhões entre abril e junho, alta de 9% ante o segundo trimestre de 2025, impulsionado por preços realizados mais elevados e por um crescimento no volume de vendas. A receita líquida de vendas atingiu US$ 10,498 bilhões no trimestre, avanço de 19% na comparação anual.
As vendas cresceram em todos os negócios: minério de ferro (+3%), cobre (+10%) e níquel (+7%). O preço realizado dos finos de minério de ferro foi de US$ 95 por tonelada, alta de 12%, enquanto o preço realizado do cobre ficou em US$ 14.062 por tonelada, aumento de 57%.
Na divisão de metais básicos, o Ebitda ajustado subiu 79%, para US$ 1,289 bilhão, com o cobre respondendo pela maior parte do ganho — o Ebitda do metal cresceu 91%, alcançando US$ 1,026 bilhão. Na unidade de Soluções de Minério de Ferro, o Ebitda ajustado cresceu 3%, para US$ 3,056 bilhões.
A Vale revisou suas estimativas de produção para 2026: a expectativa para cobre passou de 350 mil–380 mil toneladas para 360 mil–380 mil toneladas; para níquel, a projeção foi elevada de 175 mil–200 mil toneladas para 185 mil–200 mil toneladas. A empresa também reduziu estimativas de custo total de produção — para o cobre, passou a prever custo de até US$ 500 por tonelada (ante faixa anterior de US$ 1.000 a US$ 1.500) e, para o níquel, a nova faixa ficou em US$ 10.000 a US$ 11.500 por tonelada (ante US$ 12.000 a US$ 13.500).
O fluxo de caixa livre recorrente foi de US$ 1,505 bilhão no trimestre, alta de 49% em relação ao ano anterior, impulsionado pelo maior Ebitda proforma e pelo menor pagamento de tributos. A dívida líquida expandida encerrou junho em US$ 16,677 bilhões, queda de US$ 1,1 bilhão em relação ao trimestre anterior.


