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terça-feira, julho 28, 2026

06/07/2026 — Por que Portugal usa termos diferentes do Brasil no futebol

Transmissões e textos portugueses usam vocabulário distinto do brasileiro em jogos de futebol, e as diferenças ficam mais evidentes em competições internacionais.

Estádio de Dallas, Arlington, Texas, EUA – 6 de julho de 2026. Cristiano Ronaldo, de Portugal, chuta a gol REUTERS/Issei Kato

Quem assiste a partidas narradas por emissoras de Portugal ou lê reportagens publicadas no país percebe rapidamente que termos comuns no Brasil mudam de nome: o “time” aparece como “equipa”, o “goleiro” é o “guarda-redes” e o “gramado” vira “relvado”. A escolha de palavras chamou atenção, por exemplo, após a eliminação de Portugal nas oitavas de final do Campeonato Mundial — expressão usada em Portugal no lugar de “Copa do Mundo”.

Especialistas ouvidos dizem que essas variações não representam erro, mas sim trajetórias diferentes do mesmo idioma. Cynthia Pichini, mestre em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas pela PUC-SP e professora de Letras e tradutora‑intérprete na Universidade São Judas, afirma que o português falado no Brasil e o de Portugal são variantes que se desenvolveram ao longo de mais de cinco séculos desde a colonização.

Segundo Pichini, o contato do português com línguas indígenas, com o aporte de populações africanas e com ondas de imigração no Brasil produziu alterações de pronúncia, vocabulário e estruturas gramaticais. Ela compara o fenômeno a diferenças observadas entre o inglês britânico e americano ou entre as diversas formas de espanhol na Espanha e na América Latina.

O futebol funciona como vitrine dessas distinções porque reúne um léxico presente no cotidiano de milhões de pessoas. Entre os termos que mais se diferenciam estão: Copa do Mundo × Campeonato Mundial; time × equipa; técnico × treinador/selecionador/mister; pênalti × penálti/grande penalidade; goleiro × guarda-redes; driblar × fintar; torcedor × adepto; torcida organizada × claque; gramado × relvado; acréscimos × descontos; reserva × suplente.

Pichini observa ainda que a circulação internacional de atletas, técnicos e jornalistas contribui para que palavras viajem entre as duas variantes e se tornem mutuamente compreensíveis. Alguns termos brasileiros ligados ao futebol, como “craque” e “drible”, já são amplamente entendidos e às vezes usados em Portugal.

Além disso, os acordos ortográficos ajudaram a aproximar a escrita entre Brasil e Portugal, mas não impedem que pronúncia, vocabulário e construções continuem a evoluir de maneira independente em cada país. Para a pesquisadora, essa dinâmica de transformação e influência recíproca é parte do processo que mantém a língua ativa e em constante mudança.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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