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10/06/2026 — Acordo entre EUA e Irã encerra conflito e revela estragos econômicos em petróleo, inflação e bolsas

Quem e o quê: O acordo de paz assinado entre os Estados Unidos e o Irã em 10/06/2026 pôs fim a um confronto de quase quatro meses no Oriente Médio, mas deixou marcas significativas na economia global.

Impacto no petróleo e nos combustíveis

Onde e como: O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural comercializados mundialmente, interrompeu o fluxo de energia e levou a um forte aumento nos preços. O barril de petróleo subiu de cerca de US$ 70 para quase US$ 120 — um choque que analistas qualificaram como o maior desde crises anteriores, como as de 1973, 1979 e 2022.

A Agência Internacional de Energia (IEA) promovou a maior liberação emergencial de estoques de sua história para tentar ampliar a oferta, mas o recuo foi insuficiente para neutralizar totalmente a alta. Entre os efeitos diretos, os combustíveis e derivados ficaram mais caros, pressionando custos de transporte, produção industrial e agricultura.

Exemplos do impacto: o preço da ureia subiu cerca de 60%; o combustível de aviação elevou cancelamentos de voos; e fretes marítimos e rodoviários encareceram, pressionando alimentos e bens de consumo. Com o anúncio do acordo, o mercado começou a se estabilizar: o petróleo Brent recuou para US$ 78,33 por barril na quinta-feira (18) e estava cotado a US$ 79,68 no início da manhã de sexta-feira, após o cancelamento de um encontro na Suíça — ainda assim quase US$ 10 acima do patamar antes do conflito.

Estados Unidos: inflação e popularidade de Trump

Nos EUA, a alta dos combustíveis influenciou a inflação e o custo de vida que o presidente Donald Trump havia prometido reduzir. O preço médio do galão de gasolina subiu de cerca de US$ 2,98 para mais de US$ 4. Em maio, a inflação ao consumidor atingiu 4,2% no acumulado em 12 meses, o maior nível em três anos e distante da meta de 2% do Federal Reserve.

O Fed manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira (17), adiando cortes esperados. A piora econômica resultou em queda da aprovação do presidente: dados indicam que a aprovação hitou 34% em abril, com pesquisas Reuters/Ipsos mostrando 63% de desaprovação e apenas 36% de aprovação; na área econômica, a aprovação era de 27%. Houve leve recuperação da percepção sobre o combate ao custo de vida, de 22% para 24%, mas o índice permanece abaixo dos níveis do início do mandato.

Efeitos no Brasil

Dados da ANP mostram altas de até 23,6% no diesel e 8% na gasolina nos últimos meses, o que pressionou fretes e repercutiu no preço de diversos itens ao consumidor. O IPCA acumulou 3,20% no ano até maio e 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5% para 2026.

As projeções do mercado também se deterioraram: o Boletim Focus passou a ver a Selic em 13,75% ao ano em 2026, um aumento de 0,25 ponto percentual em relação à semana anterior, indicando juros altos por mais tempo e impacto sobre crédito e consumo.

Mercados financeiros e projeções globais

Em períodos de incerteza, o dólar se valorizou inicialmente por ser considerado ativo seguro. No Brasil, a moeda americana atingiu R$ 5,3142 em 13 de março e, com a dissipação de algumas incertezas, passou a recuar: no acumulado do ano até quarta-feira (17), o dólar registrava desvalorização de 6,94%. O Ibovespa, no mesmo período, acumulava alta de 4,38%.

O conflito também levou organismos internacionais a reverem expectativas de crescimento. O FMI reduziu a projeção de expansão global em 2026 de cerca de 3,3% para 3,1%, citando efeitos sobre preços das commodities, condições financeiras e confiança. A OCDE revisou estimativas, de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026, e alertou que uma crise energética prolongada poderia limitar o crescimento a 2,1%. Países como Alemanha e França tiveram previsões rebaixadas devido ao encarecimento da energia.

Com o fim do conflito, economistas e autoridades monitoram a normalização do abastecimento energético e a estabilidade no Oriente Médio para estimar a recuperação completa dos mercados e da inflação.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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