Chuvas fora do período habitual de estiagem interromperam, em junho, o ritmo da colheita de café e afetaram áreas de soja no Triângulo Mineiro. Produtores da região relatam impactos na colheita e na pós-colheita devido ao excesso de umidade em um mês tradicionalmente seco.
O Triângulo Mineiro, reconhecido pela forte atividade agrícola, vivenciou precipitações atípicas nos últimos dias, no auge da safra, quando junho e julho costumam apresentar condições de tempo seco que favorecem o trabalho no campo. A mudança no padrão de chuva provocou inquietação entre produtores, especialmente aqueles dedicados ao cultivo de café e de soja.
Nas propriedades de café, equipes intensificaram os trabalhos para tentar reduzir prejuízos. Aproveitando os curtos intervalos de sol registrados, produtores têm priorizado a secagem dos grãos — etapa considerada decisiva para manter a qualidade do produto. Com a colheita ainda em andamento em várias fazendas, a permanência dos frutos na planta sob condições de alta umidade eleva o risco de fermentações indesejadas e de doenças que podem comprometer aroma, sabor e padrão final do café.
A situação também preocupa os sojicultores, embora a maior parte da colheita de soja na região já esteja encerrada. Áreas destinadas à produção de sementes e algumas atividades complementares dependem, no entanto, de um período mais prolongado de tempo seco para garantir o rendimento e a qualidade esperados.
O município de Araguari, importante polo cafeeiro do Triângulo Mineiro, tem acompanhado a situação com atenção. Produtores locais registraram atrasos nas operações de colheita e nas etapas de pós-colheita, frustrando a expectativa de que o clima seco de junho permitiria avanço contínuo das atividades.
Além dos riscos à qualidade, o excesso de umidade implica aumento nos custos de produção. Muitas fazendas estão recorrendo a secadores artificiais ou intensificando as rotinas de manejo dos grãos para evitar perdas, o que eleva despesas em um momento em que os custos com insumos e a volatilidade de preços já pressionam a rentabilidade da safra.
As previsões meteorológicas apontam para a possibilidade de nova frente fria e mais precipitações em parte da região nos próximos dias. Diante desse quadro, os produtores mantêm monitoramento constante das condições do tempo e concentram máquinas, secadores e equipes para aproveitar cada janela de sol e concluir a colheita.
O trabalho acelerado nos campos reflete a preocupação dos agricultores em mitigar os efeitos de um fenômeno considerado atípico para esta época do ano e preservar renda, emprego e a cadeia produtiva que sustentam diversos municípios do Triângulo Mineiro.
Fonte: Gazetadotriangulo


