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21/04/2025: MP-SP ajuíza ação contra fabricante de ração após morte de centenas de cavalos e pede R$ 10 milhões

Ministério Público move ação contra Nutratta por contaminação de rações

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entrou com uma ação civil pública contra a fabricante de nutrição animal Nutratta e seu proprietário após a morte de centenas de animais e o adoecimento de outros em vários estados brasileiros. A peça judicial pede, entre outras medidas, o bloqueio de bens dos réus, a proibição de retomada das atividades da empresa antes do cumprimento de exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), recall dos produtos contaminados, indenização aos consumidores prejudicados e pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

Segundo o processo, laudos laboratoriais e necropsias indicaram a presença de alcaloides pirrolizidínicos — especificamente monocrotalina — em rações destinadas a equinos, bovinos, suínos e aves. As análises apontaram concentrações da substância tóxica em níveis de até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos.

Os dados reunidos pelo Mapa mencionam 238 mortes confirmadas de equídeos em diferentes estados, e levantamentos posteriores chegaram a apontar 645 óbitos de animais em ao menos seis unidades da federação. Entre os locais afetados estão propriedades em Indaiatuba (29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos), Atalaia (79 mortes) e registros de casos em Guarulhos, Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas.

Casos em Guarulhos e relatos de criadores

Na chácara Dia de Sol, na zona rural de Guarulhos, ao menos nove cavalos morreram após consumir rações fabricadas pela Nutratta. O comerciante e criador Marcos Barbosa relatou o comportamento observado nos animais: “Um cavalo passou a noite rodando em círculos numa baia e uma égua estava querendo morder a parede. Com todos os animais foi assim, é como se fosse uma demência”. Barbosa informou que foram apreendidos 110 sacos da ração no local e que o proprietário suspendeu o uso do produto após os primeiros relatos, mas cerca de 30 animais já haviam ingerido a ração.

Os sinais relatados por criadores incluem desorientação, alterações de comportamento, mudanças no padrão de sono e alterações na locomoção. De acordo com o Mapa, a monocrotalina é hepatotóxica e neurotóxica, provocando danos ao fígado e ao sistema nervoso que podem evoluir rapidamente para o óbito.

Risco à cadeia alimentar e investigação

A ação civil pública também aponta risco de contaminação da cadeia alimentar humana, uma vez que a mesma linha de produção teria sido utilizada para fabricar ração bovina sem mecanismos eficazes de controle de contaminação cruzada. Auditoras do Ministério da Agricultura alertaram para a possibilidade de transmissão dos alcaloides por meio do leite, da carne e do fígado de animais alimentados com os produtos contaminados.

Em depoimento técnico citado no processo, a veterinária Marcella Batista explicou que não existe cura para a intoxicação por monocrotalina e que o tratamento é de suporte, com soro e antitóxicos, além de monitoramento das enzimas hepáticas. Ela relatou ter perdido dois animais em menos de 30 dias e afirmou que, em casos graves, a eutanásia pode ser necessária para evitar sofrimento intenso.

O MP-SP acusa a Nutratta de descumprir normas sanitárias e de segurança alimentar ao utilizar matéria-prima contaminada na fabricação das rações. Procurada, a empresa não havia retornado até a última atualização da ação.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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