O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, em 18 de setembro de 2026, o estudo “Pessoas com Deficiência (PcD) e as Desigualdades Sociais no Brasil”, que revela elevada taxa de analfabetismo entre jovens com dificuldades de mobilidade sem comprometimento cognitivo.
Quem e o que: Entre brasileiros de 15 a 29 anos cuja única limitação é caminhar ou subir degraus, 23,3% são analfabetos. Na mesma faixa etária, jovens sem deficiência registram taxa de 1%.
Quando e onde: Os números constam do levantamento divulgado pelo IBGE em 18/09/2026, com abrangência nacional.
Outros dados sobre alfabetização: O estudo aponta ainda que, entre pessoas com deficiência cuja limitação está relacionada apenas a funções intelectuais, 40,4% não sabem ler nem escrever. O IBGE observa que, em casos com comprometimento cognitivo, dificuldades no aprendizado de leitura e escrita podem ocorrer, e que determinar até que ponto isso decorre de falhas no sistema escolar demandaria análise individualizada.
Frequência escolar: O levantamento separa presença na escola e condições de acessibilidade. Quanto à frequência bruta:
- Com deficiência severa: 95,6% das crianças de 6 a 14 anos estão matriculadas (vs. 98,4% sem deficiência); 82,8% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão na escola (vs. 85,4% sem deficiência).
- Com deficiência profunda: 82,3% das crianças de 6 a 14 anos estão na escola (vs. 98,4% sem deficiência); 65,6% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão matriculados (vs. 85,4% sem deficiência).
Infraestrutura e recursos: A pesquisa também avaliou recursos de acessibilidade nas instituições de ensino. A presença de sala de recursos multifuncionais, necessária para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), é limitada: 34,5% das escolas públicas oferecem esse espaço, enquanto nas privadas o índice é de 15,2%. Banheiros acessíveis estão em 54,8% das escolas públicas e em 64,4% das particulares. Profissional de apoio é encontrado em 32,8% das escolas públicas e em 4,6% das privadas.
Ensino superior: O acesso ao ensino superior aumentou com a expansão da educação a distância: entre 2019 e 2024, o número de estudantes com deficiência matriculados na modalidade EAD quadruplicou. Considerando ambos os formatos, o período entre 2004 e 2014 registrou crescimento de 33.377 para 95.572 matrículas. O IBGE não detalha quantos chegaram a concluir os cursos.
O estudo do IBGE destaca diferenças marcantes entre pessoas com e sem deficiência, tanto no índice de alfabetização quanto no acesso e nas condições de permanência na educação formal.


