Executivo da Microsoft afirma que aporte ajudou a fortalecer missão da OpenAI
O diretor‑executivo da Microsoft, Satya Nadella, prestou depoimento no processo movido por Elon Musk contra a OpenAI e defendeu o papel da empresa no financiamento inicial da organização de inteligência artificial por trás do ChatGPT. Segundo Nadella, o aporte da Microsoft foi motivo de satisfação e contribuiu para tornar a entidade uma das mais bem financiadas do setor sem fins lucrativos.
A defesa de Musk, por sua vez, sustenta que documentos internos da Microsoft mostram prioridade em retornos financeiros e não apenas em fortalecer uma iniciativa filantrópica. Os advogados de Musk argumentam que o investimento inicial de US$ 13 bilhões (R$ 63,53 bilhões, na cotação apontada na reportagem) acabou se multiplicando: quatro anos depois teria chegado a US$ 92 bilhões (R$ 449,59 bilhões) e, em outro trecho da cobertura, a participação do grupo foi citada como avaliada em US$ 135 bilhões (R$ 659,72 bilhões).
No tribunal, a acusação citou ainda e‑mails internos de 2018 para afirmar que a Microsoft decidiu investir após identificar potencial de lucro. Em mensagens mencionadas no processo, Nadella teria consultado executivos sobre um desconto concedido à OpenAI para uso do Azure e questionado como eventual colaboração poderia ajudar a Microsoft. Naquela fase, o ceticismo prevalecia internamente: o diretor de tecnologia da empresa, Kevin Scott, chegou a manifestar receio de que a OpenAI buscasse parceria com a Amazon.
O depoimento também retomou episódios de 2023, quando Sam Altman foi demitido da OpenAI e Nadella interveio para tentar evitar a formação de uma concorrência. A Microsoft criou no dia seguinte uma subsidiária preparada para receber Altman e o cofundador Greg Brockman, além de adquirir ações de funcionários que os acompanhassem, movimento estimado por um dos cofundadores em cerca de US$ 25 bilhões (R$ 122,17 bilhões). Dias depois, Altman retornou ao comando da OpenAI.
Relatos da imprensa especializada indicam que, após esses eventos, a OpenAI fechou um novo acordo com a Microsoft que limitaria o montante que a gigante de tecnologia poderia obter por meio da parceria — segundo o sítio The Information, a Microsoft ficaria limitada a receber US$ 38 bilhões, o que permitiria uma economia estimada em até US$ 97 bilhões para a OpenAI até 2030.
Elon Musk processou a OpenAI alegando que a organização teria abandonado seu propósito original sem fins lucrativos e desviado doações — citadas no processo como US$ 38 milhões (R$ 188,9 milhões) — para construir um império avaliado, segundo a ação, em mais de US$ 850 bilhões (R$ 4,23 trilhões). Musk pede que a OpenAI retorne ao status de organização sem fins lucrativos. A juíza Yvonne González Rogers deverá proferir a decisão final sobre responsabilidades e eventuais indenizações após considerar o veredicto consultivo do júri.
Em registros apresentados pelos advogados de Musk, consta que a Microsoft fez inicialmente um aporte de US$ 1 bilhão (R$ 4,97 bilhões) em 2019 e, ao final, teria injetado um total de US$ 13 bilhões (R$ 64,62 bilhões), cifra que em outra parte da reportagem foi associada a uma participação avaliada em US$ 228 bilhões (R$ 1,13 trilhão).
O julgamento expôs disputas internas entre engenheiros, investidores e executivos do Vale do Silício ocorridas antes do lançamento do ChatGPT, em 2022, e pode ter impacto sobre os planos de abertura de capital da OpenAI, dependendo do desfecho.


