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14/06/2025: 25 tipos de agrotóxicos são detectados em amostras do rio Tietê, aponta estudo

Expedição identifica 25 agrotóxicos em 14 pontos do rio Tietê

Pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica, realizada em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa, encontrou 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água coletadas em 14 pontos ao longo do rio Tietê. As análises foram conduzidas pelo Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP.

Foram detectados herbicidas, fungicidas e inseticidas usados em culturas como cana-de-açúcar, soja e citros. Entre as substâncias identificadas está a atrazina, herbicida proibido na União Europeia e apontado pela Organização Mundial da Saúde como potencialmente cancerígeno. Em alguns trechos, a quantidade de atrazina ultrapassou os limites definidos pela Resolução Conama nº 357/2005, que estabelece padrões de qualidade da água.

Os herbicidas tebutiurom e clomazona apareceram em todas as amostras coletadas. As concentrações mais elevadas de várias substâncias foram registradas no trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, área com intensa atividade agrícola. Mesmo na região da nascente, em Salesópolis, considerada relativamente preservada, foram encontrados herbicidas e inseticidas.

Abaixo, lista das substâncias detectadas e a frequência de ocorrência nas 14 amostras:

Tebutiurom: 100%
Clomazona: 100%
Diurom: 92,86%
Ciproconazol: 85,71%
Hexazinona: 85,71%
Atrazina: 85,71%
Terbutilazina: 85,71%
Acetamiprido: 85,71%
Azoxistrobina: 78,57%
Ametrina: 78,57%
Metalaxil-M: 71,43%
Tebuconazol: 71,43%
Metribuzim: 71,43%
Prometrina: 64,29%
Fipronil: 64,29%
Imidacloprido: 57,14%
Malationa: 50%
Bentazona: 42,86%
Tiametoxam: 42,86%
Bromacil: 28,57%
Propamocarbe: 21,43%
Trifloxistrobina: 14,29%
Fludioxonil: 14,29%
Indaziflam: 7,14%
Mesotriona: 7,14%

O estudo destaca que parcela significativa do produto aplicado nas lavouras não atinge o alvo e pode ser arrastada pela chuva ou infiltrar-se no solo, alcançando cursos d’água. Os fungicidas e inseticidas identificados podem afetar peixes e outros organismos aquáticos, provocando alterações fisiológicas e comportamentais e disturbando a cadeia alimentar. A presença simultânea de várias substâncias tende a aumentar esses riscos por possíveis efeitos combinados.

Embora haja processos naturais de diluição e autodepuração ao longo do percurso do rio, o relatório chama a atenção para o uso da água de trechos médio e inferior do Tietê no abastecimento público. Os autores apontam que esta situação suscita preocupação porque estações convencionais de tratamento podem não remover de forma completa diversos contaminantes orgânicos, incluindo várias classes de agrotóxicos.

Além dos agrotóxicos, as análises identificaram microplásticos em todos os pontos de coleta e 16 outras substâncias, entre medicamentos e drogas ilícitas, incluindo cocaína. A expedição percorreu mais de 1.100 quilômetros do rio, desde a nascente em Salesópolis até a foz no rio Paraná, em Itapura, e utilizou embarcações para amostrar a água no ponto médio entre as margens.

Fonte: G1 – matéria original

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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