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quinta-feira, julho 9, 2026

Itamaraty identifica 43 empresas e associações dos EUA contrárias a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Itamaraty mapeia oposição nos EUA a proposta de tarifação sobre exportações brasileiras

O Ministério das Relações Exteriores informou ter identificado 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos que solicitaram a exclusão de produtos brasileiros do possível aumento tarifário proposto pelo governo americano. Segundo o documento oficial enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), as entidades afirmam não existir substitutos produzidos no mercado doméstico para os itens questionados e avisam que a imposição de tarifas elevaria custos para consumidores norte-americanos e para indústrias que utilizam esses produtos como insumos.

A informação consta na resposta oficial assinada pelo chanceler Mauro Vieira, em réplica à investigação aberta pelo USTR, que acusou o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com empresas americanas. O processo em curso pode culminar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos.

O g1 questionou o Itamaraty sobre a lista completa de empresas e os produtos mapeados, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

Na segunda-feira (6), o USTR iniciou a fase de audiências públicas da investigação, abertas a interessados que se inscreveram. Representantes de associações brasileiras e americanas de diversos setores participaram das sessões, incluindo os segmentos de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto, alertou que a eventual adoção de novas tarifas traria prejuízos para as economias de ambos os países, afetando produtores e consumidores dos Estados Unidos e reduzindo a competitividade das exportações brasileiras em um mercado considerado estratégico. Neto também destacou que a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor patamar já registrado, e que as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos recuaram 11% no mesmo período.

Representantes que participaram das audiências têm avaliado que a imposição de tarifas é praticamente inevitável, mas esperam que o alcance da medida seja modulado conforme seus efeitos sobre a economia americana. Um argumento central apresentado nas sessões é que o aumento do custo das importações brasileiras poderia ampliar a dependência das cadeias produtivas dos EUA em relação à China, um resultado que contraria a estratégia comercial defendida pela administração de Donald Trump.

Os Estados Unidos concluíram uma investigação que aponta práticas brasileiras que dificultariam o comércio americano e propuseram a aplicação de tarifa de 25% sobre parte dos produtos. A medida ainda não entrou em vigor e depende da realização de consultas públicas e do cumprimento das etapas previstas na legislação dos EUA. O relatório do USTR menciona pontos como o funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, questões relacionadas à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção.

Apesar da proposta, o governo americano incluiu uma lista ampla de exceções para itens considerados estratégicos, como café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos. O USTR prevê concluir as consultas e tomar uma decisão sobre a aplicação das medidas até 15 de julho.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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