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24/11/2025 — Decisão sobre tarifaço ao Brasil sairá “muito em breve”, diz representante comercial dos EUA

Representante comercial dos EUA indica prazo e diz que negociações ainda estão distantes

O representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a definição sobre um novo pacote de tarifas às importações brasileiras será anunciada “muito em breve”, mas ressaltou que Estados Unidos e Brasil ainda estão longe de um acordo final. A declaração ocorreu em entrevista à Fox Business Network.

Greer disse ter mantido conversas com autoridades brasileiras e avaliou haver “uma distância considerável” entre as posições das duas partes. Ele lembrou que existe um prazo legal para a decisão, que vai até 15 de julho.

O representante falou ao lado de compromissos na Europa: a imagem divulgada pelo órgão mostra Greer participando de um almoço de trabalho com ministros do comércio da União Europeia, em Bruxelas, em 24 de novembro de 2025.

O pedido de tarifas foi iniciado pela administração do presidente Donald Trump. Em 1º de junho, o governo americano propôs alíquotas de 25% sobre produtos brasileiros, na esteira de uma investigação que avaliou temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos PIX. No dia seguinte, foram anunciadas ainda taxas adicionais de 12,5% para 60 países — incluindo o Brasil — em investigação sobre falhas no combate ao trabalho forçado.

Em ambos os anúncios, o Executivo norte-americano publicou uma extensa lista de exceções pensada para mitigar aumentos de preços no mercado interno dos EUA.

No Brasil, o Itamaraty identificou mais de 40 empresas e associações americanas contrárias ao chamado “tarifaço”. A interpretação do governo brasileiro e de entidades do setor é que a medida teria impactos econômicos relevantes.

Na última segunda-feira (6), o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) abriu a fase de audiências públicas da investigação, com participação de interessados previamente inscritos. Representantes de associações de vários setores compareceram às sessões, entre eles setores do café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro‑gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto, afirmou que “a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”. Neto citou ainda que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor nível registrado, e que as importações brasileiras vindas dos EUA recuaram 11% no mesmo período.

Representantes empresariais ouvidos nas audiências avaliam que a imposição de tarifas adicionais é, em grande parte, inevitável, mas que sua amplitude pode ser ajustada conforme os efeitos sobre a economia americana. Um dos argumentos apresentados nas sessões aponta que tornar mais caros produtos brasileiros poderia aumentar a dependência dos Estados Unidos em relação a insumos chineses, em contradição com a estratégia comercial do governo Trump.

A questão permanece em debate até a definição prevista no prazo legal.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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