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sábado, setembro 26, 2026

Dia da Pizza: Brasil abre 13 pizzarias por dia, mas preço da pizza aperta orçamento das famílias

Expansão do setor contrasta com perda de poder de compra

Celebrado em 10 de julho de 2026, o Dia da Pizza evidencia uma contradição na economia do país: o setor de pizzarias segue em expansão — com média de 13 novas unidades por dia — enquanto a compra de uma pizza fica mais difícil para parte das famílias. A constatação consta do Índice Mozarela, elaborado pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) para avaliar o poder de compra nas regiões da capital paulista.

O indicador, inspirado no Índice Big Mac, calcula quantas pizzas de muçarela a renda familiar média de cada distrito consegue adquirir considerando os preços praticados nas pizzarias locais. Segundo o levantamento, a mediana do número de pizzas mensais compráveis caiu de 131 em 2021 para 120 em 2025 nos distritos de São Paulo.

Embora restrito à capital, o estudo serve como termômetro para o mercado nacional porque São Paulo concentra o maior número de pizzarias do país e é considerada a principal referência do segmento.

Entre as causas da perda de poder de compra, os autores apontam o aumento dos custos dos insumos, em especial da muçarela, cujo preço subiu quase 40% entre 2021 e 2025. Ao mesmo tempo, os rendimentos do trabalho não acompanharam a elevação do custo de vida, observa o pesquisador Rodolfo Ribeiro, um dos responsáveis pelo Índice Mozarela, ressaltando que o quadro afeta com mais intensidade as famílias de menor renda.

O impacto é desigual entre bairros. Em Alto de Pinheiros, a renda média permite a compra de 313 pizzas por mês, o maior potencial da cidade; em Anhanguera, a capacidade cai para 73 pizzas mensais. Também há grande variação nos preços cobrados. Pinheiros, Moema e Jardim Paulista registram as medianas mais altas — R$ 102,59, R$ 95,53 e R$ 93,49, respectivamente — enquanto Pedreira, José Bonifácio e Vila Jacuí têm as mais baixas, com R$ 39,74, R$ 40,93 e R$ 41,15.

Os pesquisadores explicam que, em regiões periféricas, a concorrência se dá basicamente pelo preço, o que limita a margem para ingredientes mais caros ou diferenciais no serviço. Nos bairros de maior renda, o maior poder aquisitivo permite aos empresários diversificar cardápios e estratégias comerciais, ampliando as opções oferecidas ao consumidor.

Apesar da queda do poder de compra, o setor de pizzarias teve crescimento recorde em 2025. Dados da Associação Pizzarias Unidas (Apubra) mostram que o país encerrou o ano com 40.332 pizzarias ativas, alta de 10,29% em relação a 2024, e registrou o menor número de fechamentos da última década — 2.969 empresas —, queda de 43,8% na comparação com 2024.

O ritmo seguiu acelerado em 2026: entre janeiro e maio foram inauguradas 1.990 novas pizzarias, aumento de 6,1% sobre o mesmo período do ano anterior — o equivalente, segundo a Apubra, a uma nova pizzaria a cada duas horas. Gustavo Cardamoni, presidente da entidade, afirma que a expansão atrai novos empreendedores e aponta deslocamento do crescimento para além dos grandes centros: o Sudeste ainda concentra 51% das pizzarias, com São Paulo como principal polo, mas cerca de três em cada quatro estabelecimentos inaugurados em 2026 abriram fora do estado paulista. Norte e Nordeste lideram esse avanço proporcionalmente.

Para a Apubra, a combinação da redução de fechamentos com o aumento de inaugurações indica maior maturidade do mercado, com foco em profissionalização, gestão eficiente e conhecimento do mercado local como fatores decisivos para consolidar operações.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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