Redução do tráfego no Estreito de Ormuz acompanha aumento das hostilidades entre Estados Unidos e Irã
O movimento de embarcações no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, registrou queda nesta semana em meio à intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã.
As mesmas bases de dados mostram a entrada no Estreito de Ormuz de pelo menos cinco navios-tanque de GNL sem carga nos últimos dias. Entre eles estão o GasLog Shanghai, operado pela grega GasLog, e quatro embarcações associadas à QatarEnergy: Al Samriya, Al Dafna, Al Gattara e Al Rayyan.
Segundo os registros, o GasLog Shanghai e o Al Rayyan provavelmente entraram no estreito durante a madrugada após terem sido vistos fora da via navegável em 9 de julho. As outras três embarcações ligadas à QatarEnergy foram observadas pela última vez na costa oeste da Índia, fora do Estreito de Ormuz: o Al Samriya e o Al Gattara foram identificados na região entre 18 e 19 de junho, e o Al Dafna apareceu pela última vez em 29 de junho.
A QatarEnergy e a GasLog não responderam imediatamente aos pedidos de comentário feitos fora do horário comercial, segundo a Reuters.
Também houve movimentações de petroleiros: o superpetroleiro Nissos Kea entrou no Estreito de Ormuz na quinta-feira, enquanto o Lila Vadinar deixou a passagem marítima.
O recuo no tráfego ocorre após uma nova rodada de ataques dos Estados Unidos contra o Irã. Na noite de quarta-feira, 8 de julho, forças do Comando Central dos EUA realizaram ações destinadas a reduzir a capacidade iraniana de atingir navios no Estreito de Ormuz, atingindo cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. Entre as estruturas destruídas ou danificadas constam sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística militar.
Embora o Irã não seja proprietário do estreito, o país controla a costa norte da passagem, além de ilhas e posições militares que permitem o monitoramento da maior parte do tráfego. Nos últimos anos, o governo iraniano tem usado essa posição geográfica como instrumento de pressão política e militar. Após o início do conflito, o Irã chegou a fechar o estreito para buscar vantagem nas negociações; atualmente, defende que a comunidade internacional reconheça sua soberania sobre a rota marítima.


