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domingo, julho 26, 2026

Por que a carne não deve ficar mais barata mesmo com a redução das exportações para a China?

TRANSMISSÃO: Record

O Brasil já atingiu a cota anual de exportação de carne bovina para a China e deve reduzir as vendas ao país até o fim do ano, mas especialistas e agentes do setor dizem que isso não representa, necessariamente, queda de preços no mercado interno. A expectativa entre economistas ouvidos pelo g1 é de manutenção ou mesmo alta nos preços ao final de 2026.

Quem e o que

A China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida de 12%. Depois desse limite, a alíquota sobe para 55%, o que diminui a competitividade da carne brasileira no mercado chinês. Com a cota esgotada, frigoríficos brasileiros reduziram o abate de bois e já sinalizam mudança na dinâmica de oferta.

Quando e como

Segundo analistas, a cota será renovada em janeiro, reabrindo o mercado chinês ao produto brasileiro. Por causa disso, frigoríficos tendem a direcionar parte da produção do último bimestre do ano para atender à demanda chinesa de 2027. Além disso, viagens marítimas até a China duram cerca de 40 dias, o que influencia o planejamento da cadeia produtiva.

Por que os preços não devem cair

Com a redução do abate, há menos carne sendo processada no país. Larissa Alvarez, analista de inteligência de mercado da StoneX, afirma que a disputa por embarques antes do limite da cota alterou a dinâmica de mercado, e que os frigoríficos passaram a priorizar vendas externas quando possível. Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, observa que o preço do boi gordo chegou a R$ 365 em abril e, embora tenha recuado para cerca de R$ 330, a disponibilidade para abate tende a diminuir nos próximos meses.

Outro fator mencionado pelos especialistas é o clima: a previsão de um super El Niño traz risco de seca, que pode reduzir a capacidade dos pastos e, consequentemente, a oferta de animais para abate. Ao mesmo tempo, o consumo interno costuma aumentar no fim do ano por causa das festas, o que pressiona preços para cima.

Impactos e alternativas

Iglesias estima que a perda do mercado chinês no segundo semestre poderia representar até US$ 2 bilhões em prejuízo, embora na prática o impacto deva ser menor, pois as exportações não serão interrompidas totalmente. Exportadores já buscam alternativas e aumentaram vendas a países como Argentina e Uruguai. Além disso, outros fornecedores que mantêm acesso com tarifa reduzida à China podem ampliar compras do Brasil para consumo interno ou reexportação.

Para o professor Bruno Capuzzi, do Insper Agro Global, a demanda doméstica mais fraca e fatores como a eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo podem segurar preços no curtíssimo prazo e oferecer algum alívio temporário ao consumidor. StoneX, por sua vez, aponta tendência de estabilidade nos preços ao consumidor, apesar da menor disponibilidade de gado para abate no final do ano.

As cotas chinesas foram criadas para estimular a produção local de carne bovina; produtores chineses ainda não conseguem suprir totalmente a demanda interna e os preços no país permanecem elevados, o que também pode influenciar decisões futuras de importação por parte de Pequim.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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