Parlamento Europeu suspende implementação do acordo após anúncio de sobretaxa dos EUA
A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu reuniu-se de forma extraordinária nesta segunda-feira (23) para avaliar os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos e o anúncio de novas tarifas pela administração americana. Os eurodeputados decidiram adiar a implementação do acordo comercial entre a União Europeia e os EUA até que haja esclarecimentos sobre as medidas anunciadas por Washington.
Transmissão: Band
Zeljana Zovko, integrante do Partido Popular Europeu (PPE), afirmou que a suspensão seguirá em vigor “enquanto a Comissão não esclarecer com os Estados Unidos as condições das novas tarifas alfandegárias” anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A Comissão de Comércio Internacional deveria deliberar na terça-feira sobre a aplicação do acordo, que depois seguiria para votação em sessão plenária prevista para o próximo mês.
O pacto, fechado em julho após intensas negociações entre Bruxelas e Washington, estabeleceu um limite de 15% para as tarifas aplicadas pelos EUA à maioria dos produtos europeus — percentual abaixo dos 30% que Trump chegou a ameaçar. Em contrapartida, a União Europeia concordou em eliminar suas próprias tarifas sobre importações americanas, medida que depende de aprovação do Parlamento Europeu.
A Comissão Europeia solicitou no domingo (22) esclarecimentos sobre as medidas que os Estados Unidos pretendem adotar após a decisão da Suprema Corte, que considerou ilegal e anulou o tarifaço imposto em abril de 2025. Em reação ao veredicto, o presidente americano anunciou inicialmente uma sobretaxa global de 10% e, 24 horas depois, elevou a alíquota para 15%, apoiando-se em uma lei de 1974 cuja aplicação, segundo veículos franceses, limita a vigência da medida a 150 dias e só permite prorrogação com aval do Congresso.
Além da UE, a China acompanha as consequências das novas tarifas e pressiona Washington a suspender as taxas “unilaterais”. Em comunicado, o ministro do Comércio chinês afirmou que o país “defenderá com firmeza seus interesses”.
Jornais franceses repercutiram a sequência de decisões: Libération classificou o episódio como “revés significativo”, Les Echos chamou a derrota de Trump de “contundente” e Le Figaro afirmou que “a confusão reina novamente sobre o comércio mundial”. O editorial do La Croix avaliou que a decisão da Suprema Corte abala o programa econômico e diplomático do presidente americano e reafirma limites ao poder presidencial; o jornal também destacou que seis dos nove juízes — três conservadores — decidiram pela ilegalidade do tarifaço.
Espera-se ainda o discurso sobre o Estado da União de Donald Trump, marcado para terça-feira, que poderá trazer novos elementos sobre a estratégia americana para o comércio internacional.
Com informações de G1

